Ingrediente suave e saboroso
Um rumor de vento
de folha de tempero
prato primoroso
Ponto e nota
atento num gesto vigoroso
Ciclo e giro inteiro
Vento, num sopro rigoroso
Abraço e busca
na circunavegação completa
O mundo nos pedais
na rota de uma bicicleta
O aceno está no ar
num gesto que se solta
no sabor do tempero
- e do amor
que ora está de volta!
[Adhemar - São Paulo, 05 a 07/07/2017]
Impressões pessoais e a sutileza que entremeia diferentes expressões destas artes: a arquitetura da poesia e a poesia da arquitetura! Vida. (Imagem: Perspectiva do Labirinto - Foto: Adh2bs)
quinta-feira, 31 de agosto de 2017
segunda-feira, 21 de agosto de 2017
SENTENÇA
Não
sei por quais excessos
fomos condenados,
ou por quais faltas...
Fomos condenados por cometer poesias inúteis,
talvez?!
Fomos condenados por faltar com a verdade
oferecendo ilusões... em versos?!
Enfim, não sei,
condenados,
por quais faltas ou excessos.
Excesso de otimismo?!
Excesso de um romantismo cafona,
fora de moda?!
Ou por paixões fora de hora?!
Talvez tenhamos sido condenados
por amar a tanto tempo impunes...
Ou por doação ilegal do próprio coração...
Por quais motivos de opressão terrena
carregaremos essa cruz de sofrimento e dor?!
Será que foi porque nos devotamos
indevida e cegamente ao amor?!
Quem nos julga?!
Como vivem?!
Não se comovem diante da fraqueza
ou da fortaleza que nos transformou?!
Beijos roubados,
abraços claros,
lágrimas sinceras...
O que consta nos anais dessa condenação?!
Qual a pena?!
Danação no inferno
pelo pouco que nos resta desta vida eterna?![Adhemar - São Paulo, 24/07/2017]
quinta-feira, 10 de agosto de 2017
FLUTUAÇÃO
História vermelha recontada.
Revelada, roubada, inventada;
história vermelha e ousada
perdida num balanço, anoitecer.
Estrelas temidas recolhidas,
tímidas, furtivas e molhadas.
Orvalho da madrugada orgulhosa
e brilhos no alvorecer.
Migalhas pequeninas espalhadas,
cobiçadas por quem quer esquecer.
Reveladas, orgulhosas e furtadas
numa nesga do amanhecer.
História, vermelha e requentada,
pernas cruzadas, inquietas, a tremer;
bocas fechadas a sorrir secretamente
de tudo que, como o dia, vai nascer...
[Adhemar - São Paulo, 18/04/2016]
Revelada, roubada, inventada;
história vermelha e ousada
perdida num balanço, anoitecer.
Estrelas temidas recolhidas,
tímidas, furtivas e molhadas.
Orvalho da madrugada orgulhosa
e brilhos no alvorecer.
Migalhas pequeninas espalhadas,
cobiçadas por quem quer esquecer.
Reveladas, orgulhosas e furtadas
numa nesga do amanhecer.
História, vermelha e requentada,
pernas cruzadas, inquietas, a tremer;
bocas fechadas a sorrir secretamente
de tudo que, como o dia, vai nascer...
[Adhemar - São Paulo, 18/04/2016]
quarta-feira, 9 de agosto de 2017
FANTASMAS
Antenas diabólicas
passado capta
captando passa
diante dos olhos
Histórias hiperbólicas
passarelas gastas
passos da história
Janelas simbólicas
emboladas paisagens
capturadas no diafragma
suspiro das viagens...
Paradas parabólicas
a moral se acha
escrachada, imoral...
Pesquisas robóticas
rouba-se ideias claras
iluminadas e raras
diante dos olhos...
... Nas calçadas melancólicas...
[Adhemar - São Paulo, 05/08/2014]
passado capta
captando passa
diante dos olhos
Histórias hiperbólicas
passarelas gastas
passos da história
Janelas simbólicas
emboladas paisagens
capturadas no diafragma
suspiro das viagens...
Paradas parabólicas
a moral se acha
escrachada, imoral...
Pesquisas robóticas
rouba-se ideias claras
iluminadas e raras
diante dos olhos...
... Nas calçadas melancólicas...
[Adhemar - São Paulo, 05/08/2014]
sexta-feira, 4 de agosto de 2017
SUCEDÂNEO
Vento brando
espalhando palavras
refrescando
Sol amigo
trigo dourando
pão garantido
Céu azulando
emoldurando tudo
desmaiando
A noite vem
A noite deita
Anoitecendo...
[Adhemar - São Paulo, 04/08/2015]
terça-feira, 1 de agosto de 2017
QUERIDOS
Tudo o que eu não sei me pesa,
me afronta, não basta.
Queria eu não saber mais coisas.
Quisera eu vasculhar baús,
revolver mistérios.
Atrair tons sérios de cores neutras.
Quisera noutras vasculhar os cérebros.
Os mais célebres, por certo,
ou os mais por perto.
Quisera eu perturbar espíritos,
vislumbrar auras,
declamar versículos...
Queria eu escrever artigos
ou apreender amigos
e queimar uns livros...
Tudo o que eu não sei me enche
de uma clara ignorância calma;
e para tudo o mais que eu não sei
eu bato palmas...
[Adhemar - São Paulo, 06/07/2014]
me afronta, não basta.
Queria eu não saber mais coisas.
Quisera eu vasculhar baús,
revolver mistérios.
Atrair tons sérios de cores neutras.
Quisera noutras vasculhar os cérebros.
Os mais célebres, por certo,
ou os mais por perto.
Quisera eu perturbar espíritos,
vislumbrar auras,
declamar versículos...
Queria eu escrever artigos
ou apreender amigos
e queimar uns livros...
Tudo o que eu não sei me enche
de uma clara ignorância calma;
e para tudo o mais que eu não sei
eu bato palmas...
[Adhemar - São Paulo, 06/07/2014]
sexta-feira, 14 de julho de 2017
CANCELAMENTO
Suspenda os planos que não fizemos pra depois.
Suspenda a fuga que nós nunca planejamos.
Cancele as passagens que ainda não compramos.
Desfaça as malas que a fazer nem começamos.
Pare tudo o que nunca combinamos.
Esqueça as palavras que nós não escrevemos
e nem sequer pronunciamos...
Esqueça essa velha paixão inesperada
que juntos despertamos... só em mim...
Deixe pra lá o que eu não disse nem diria.
Deixe pra lá o que eu não fiz e nem faria.
Eu digo que entre nós está tudo acabado,
o que deveras jamais houvera começado...
[Adhemar - São Paulo, 06/03/2017]
Suspenda a fuga que nós nunca planejamos.
Cancele as passagens que ainda não compramos.
Desfaça as malas que a fazer nem começamos.
Pare tudo o que nunca combinamos.
Esqueça as palavras que nós não escrevemos
e nem sequer pronunciamos...
Esqueça essa velha paixão inesperada
que juntos despertamos... só em mim...
Deixe pra lá o que eu não disse nem diria.
Deixe pra lá o que eu não fiz e nem faria.
Eu digo que entre nós está tudo acabado,
o que deveras jamais houvera começado...
[Adhemar - São Paulo, 06/03/2017]
quarta-feira, 12 de julho de 2017
SONETO 43 (*)
[Fonte: Wikipédia]
(*) Ver o primeiro comentário
terça-feira, 11 de julho de 2017
AMA-ME POR AMOR DO AMOR SOMENTE
SONETO XIV
"Ama-me por amor do amor somente.
Não digas: “Amo-a pelo seu olhar,
o seu sorriso, o modo de falar
honesto e brando. Amo-a porque se sente
minh’alma em comunhão constantemente
com a sua”. Por que pode mudar
isso tudo, em si mesmo, ao perpassar
do tempo, ou para ti unicamente.
Nem me ames pelo pranto que a bondade
de tuas mãos enxuga, pois se em mim
secar, por teu conforto, esta vontade
de chorar, teu amor pode ter fim!
Ama-me por amor do amor, e assim
me hás de querer por toda a eternidade."
- Elizabeth Barrett Browning -
(Tradução: Manuel Bandeira)
[Extraído do blog "MEU CADERNO DE POESIAS"]
http://blogdasilnunes.blogspot.com.br/
- Ver original em inglês no primeiro comentário (Fonte: "poesia.net 119").
- Ver original em inglês no primeiro comentário (Fonte: "poesia.net 119").
sexta-feira, 30 de junho de 2017
DEPOSIÇÃO
Um pequeno espaço,
um cilindro fino
onde cabe tinta que se derrame
numa folha minúscula
Uma programação descuidada
um desabafo apertado
uma conversa fiada,
rumo perdido no mapa errado
Prosa misturada com verso,
página saltada
A mão pesada, cilindro leve
tinta impressionada
Um teste, uma prova, um indício
que não é cinza de cigarro,
nem pegada:
só um longo caminho lá pro infinito,
numa solitária estrada.
[Adhemar - São Paulo, 08/05/2017]
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