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quinta-feira, 7 de setembro de 2017

APOSTAS FEITAS...

Olhares diretos,
pensares enviesados.
Cartas distribuídas, 
blefe na mesa.

Risos forçados.
Ar de fumaça e álcool.

De repente, um tiro!
Música parada,
uma cadeira caída;
silêncio e escuridão.


[Adhemar - São Paulo, 31/07/2008]

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

COLCHETES

Ingrediente suave e saboroso
Um rumor de vento
de folha de tempero
prato primoroso

Ponto e nota
atento num gesto vigoroso
Ciclo e giro inteiro
Vento, num sopro rigoroso

Abraço e busca
na circunavegação completa
O mundo nos pedais
na rota de uma bicicleta

O aceno está no ar
num gesto que se solta
no sabor do tempero
- e do amor
que ora está de volta!


[Adhemar - São Paulo, 05 a 07/07/2017]

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

SENTENÇA

Não sei por quais excessos
fomos condenados,
ou por quais faltas...

Fomos condenados por cometer poesias inúteis, talvez?!
Fomos condenados por faltar com a verdade
oferecendo ilusões... em versos?!

Enfim, não sei,
condenados,
por quais faltas ou excessos.

Excesso de otimismo?!
Excesso de um romantismo cafona,
fora de moda?!
Ou por paixões fora de hora?!

Talvez tenhamos sido condenados
por amar a tanto tempo impunes...
Ou por doação ilegal do próprio coração...

Por quais motivos de opressão terrena
carregaremos essa cruz de sofrimento e dor?!
Será que foi porque nos devotamos
indevida e cegamente ao amor?!

Quem nos julga?!
Como vivem?!
Não se comovem diante da fraqueza
ou da fortaleza que nos transformou?!

Beijos roubados, 
abraços claros,
lágrimas sinceras...

O que consta nos anais dessa condenação?!
Qual a pena?!
Danação no inferno
pelo pouco que nos resta desta vida eterna?!


[Adhemar - São Paulo, 24/07/2017]

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

FLUTUAÇÃO

História vermelha recontada.
Revelada, roubada, inventada;
história vermelha e ousada
perdida num balanço, anoitecer.

Estrelas temidas recolhidas,
tímidas, furtivas e molhadas.
Orvalho da madrugada orgulhosa
e brilhos no alvorecer.

Migalhas pequeninas espalhadas,
cobiçadas por quem quer esquecer.
Reveladas, orgulhosas e furtadas
numa nesga do amanhecer.

História, vermelha e requentada,
pernas cruzadas, inquietas, a tremer;
bocas fechadas a sorrir secretamente
de tudo que, como o dia, vai nascer...


[Adhemar - São Paulo, 18/04/2016]

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

FANTASMAS

Antenas diabólicas
passado capta
captando passa
diante dos olhos

Histórias hiperbólicas
passarelas gastas
passos da história

Janelas simbólicas
emboladas paisagens
capturadas no diafragma
suspiro das viagens...

Paradas parabólicas
a moral se acha
escrachada, imoral...

Pesquisas robóticas
rouba-se ideias claras
iluminadas e raras
diante dos olhos...

... Nas calçadas melancólicas...


[Adhemar - São Paulo, 05/08/2014]

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

SUCEDÂNEO

Vento brando
espalhando palavras
refrescando

Sol amigo
trigo dourando
pão garantido

Céu azulando
emoldurando tudo
desmaiando

A noite vem
A noite deita
Anoitecendo...


[Adhemar - São Paulo, 04/08/2015]

terça-feira, 1 de agosto de 2017

QUERIDOS

Tudo o que eu não sei me pesa,
me afronta, não basta.
Queria eu não saber mais coisas.

Quisera eu vasculhar baús,
revolver mistérios.
Atrair tons sérios de cores neutras.

Quisera noutras vasculhar os cérebros.
Os mais célebres, por certo,
ou os mais por perto.

Quisera eu perturbar espíritos,
vislumbrar auras,
declamar versículos...

Queria eu escrever artigos
ou apreender amigos
e queimar uns livros...

Tudo o que eu não sei me enche
de uma clara ignorância calma;
e para tudo o mais que eu não sei
eu bato palmas...


[Adhemar - São Paulo, 06/07/2014]

sexta-feira, 14 de julho de 2017

CANCELAMENTO

Suspenda os planos que não fizemos pra depois.
Suspenda a fuga que nós nunca planejamos.
Cancele as passagens que ainda não compramos.
Desfaça as malas que a fazer nem começamos.

Pare tudo o que nunca combinamos.
Esqueça as palavras que nós não escrevemos
e nem sequer pronunciamos...
Esqueça essa velha paixão inesperada
que juntos despertamos... só em mim...

Deixe pra lá o que eu não disse nem diria.
Deixe pra lá o que eu não fiz e nem faria.
Eu digo que entre nós está tudo acabado,
o que deveras jamais houvera começado...


[Adhemar - São Paulo, 06/03/2017]

quarta-feira, 12 de julho de 2017

SONETO 43 (*)




Amo-te quanto em largo, alto e profundo
Minh'alma alcança quando, transportada,
Sente, alongando os olhos deste mundo,
Os fins do Ser, a Graça entressonhada.

Amo-te em cada dia, hora e segundo:
À luz do sol, na noite sossegada.
E é tão pura a paixão de que me inundo
Quanto o pudor dos que não pedem nada.

Amo-te com o doer das velhas penas;
Com sorrisos, com lágrimas de prece,
E a fé da minha infância, ingênua e forte.

Amo-te até nas coisas mais pequenas.
Por toda a vida. E, assim Deus o quisesse,
Ainda mais te amarei depois da morte.


- Elizabeth Barrett Browning - 
(Tradução: Manuel Bandeira)

[Fonte: Wikipédia]

(*) Ver o primeiro comentário

terça-feira, 11 de julho de 2017

AMA-ME POR AMOR DO AMOR SOMENTE

SONETO XIV

"Ama-me por amor do amor somente.
Não digas: “Amo-a pelo seu olhar,
o seu sorriso, o modo de falar
honesto e brando. Amo-a porque se sente

minh’alma em comunhão constantemente
com a sua”. Por que pode mudar
isso tudo, em si mesmo, ao perpassar
do tempo, ou para ti unicamente.

Nem me ames pelo pranto que a bondade
de tuas mãos enxuga, pois se em mim
secar, por teu conforto, esta vontade

de chorar, teu amor pode ter fim!
Ama-me por amor do amor, e assim
me hás de querer por toda a eternidade."


- Elizabeth Barrett Browning -
(Tradução: Manuel Bandeira)

[Extraído do blog "MEU CADERNO DE POESIAS"]
http://blogdasilnunes.blogspot.com.br/

- Ver original em inglês no primeiro comentário (Fonte: "poesia.net 119").