Por que existe melancolia?
Céus!
Que palavra que diz o que quer dizer,
com tanto de si mesma!
No fundo da mais funda fantasia
há uma verdade encoberta
que nos excita e nos perturba.
Tentei fugir de mim mesmo quando estive sozinho.
Agora choro,
pensando num truque velho
para velar meus olhos.
Perdi a noção do tempo
enquanto estava perto de ti.
Num canto do coração
um menino sentado observa
as lágrimas rolando dos olhos.
Vai acolhendo uma a uma,
a cada uma denominando emoção.
E... descobre mais emoção.
Emoção é um frio na espinha.
Emoção é uma lágrima da memória.
Emoção é um sorriso amigo,
um piscar de olhos,
um afago de mão.
Emoção é o sol poente,
um bicho voando,
um aperto no coração.
Emoção é a saudade rápida
de um relâmpago bom.
Emoção é a luz de uma alma
e o carinho do som;
do som da voz amiga,
do brilho nos olhos
e do beijo, então...
Do suspiro roubado,
de eu ter perdido a noção...
P/ BSF
[Adhemar - Pedro Juan Caballero, 27/07/1987; São Paulo, 31/07/1987]
Impressões pessoais e a sutileza que entremeia diferentes expressões destas artes: a arquitetura da poesia e a poesia da arquitetura! Vida. (Imagem: Perspectiva do Labirinto - Foto: Adh2bs)
quinta-feira, 11 de janeiro de 2018
sexta-feira, 22 de dezembro de 2017
"MULTIEXPLICAÇÃO"
Uma aposta arriscada,
uma farra,
uma festa de artista.
Uma fase acabada,
uma farsa,
uma falsa premissa.
Uma ideia arruinada,
uma forra,
uma forja, uma prensa.
Uma frase mal começada,
um forro,
um disfarce na lista.
Um diagnóstico errado,
uma força,
uma fonte desconhecida.
Um propósito firme,
um alforje,
uma face perdida.
Um exame consignado,
uma folga,
uma forte impressão de... surpresa.
Uma falsificação no fogo reproduzida,
uma fraqueza,
um final de linha "descozida"...*
[Adhemar - São Paulo, 10/01/2010]
(*) "Descozida", no sentido de "descozinhada" (palavras que não existem), não cozida, crua (?); e não descosida, descosturada. Aff! Nem perguntem...
Adh2bs
quarta-feira, 20 de dezembro de 2017
ZÍLION
"Nada" (Foto: Adh2bs)
Adaptações.
Fingimento explícito.
As implicâncias rotineiras,
hábitos esquisitos.
Passos dados pra fora,
mastros das bandeiras.
Vento inconstante,
ondulações interesseiras.
Vai do conteúdo interessante
um assunto insinuante;
boas maneiras.
Fingimento explícito,
palavras nuas,
outras bobeiras.
Roupas espalhadas,
aleatoriamente.
Sentimentos sequestrados,
resgate por besteiras...
Descalço, de costas,
as implicâncias rotineiras.
Trancados ao som de uma valsa,
a volta sem escalas,
escalas sem descanso...
Abandono enfastiado,
solidão,
boas maneiras.
Leva muita frustração,
ganha nada, só poeira.
Hábitos esquisitos;
pouca vida,
numa existência inteira...
[Adhemar
- São Paulo, 17/05/2017]
quinta-feira, 7 de dezembro de 2017
HERANÇA
Vamos vencer as revoluções
depois vamos nos transformar;
soltar os nossos dragões
e voar.
Vamos liderar os motins,
depois vamos nos embrenhar
em matas cheias de ilusões
e lutar.
Vamos começar as rebeliões,
vamos contornar os por quês;
vão nos revelar as mãos cheias...
de buquês.
Vamos propagar as insurreições.
Vamos questionar as religiões?!
Vamos comprar um pouco de fé,
ou até...
Vamos extinguir as guerras,
as mãos leves, os pés breves.
Vamos enxugar das feridas
nosso ardor...
Vamos vender nossos ideais,
nos acomodar em nossas poltronas
convencidos de não poder lutar mais...
Como os nossos pais...*
* Como disse Belchior.
[Adhemar - São Paulo, 14/01/2010]
depois vamos nos transformar;
soltar os nossos dragões
e voar.
Vamos liderar os motins,
depois vamos nos embrenhar
em matas cheias de ilusões
e lutar.
Vamos começar as rebeliões,
vamos contornar os por quês;
vão nos revelar as mãos cheias...
de buquês.
Vamos propagar as insurreições.
Vamos questionar as religiões?!
Vamos comprar um pouco de fé,
ou até...
Vamos extinguir as guerras,
as mãos leves, os pés breves.
Vamos enxugar das feridas
nosso ardor...
Vamos vender nossos ideais,
nos acomodar em nossas poltronas
convencidos de não poder lutar mais...
Como os nossos pais...*
* Como disse Belchior.
[Adhemar - São Paulo, 14/01/2010]
segunda-feira, 4 de dezembro de 2017
"RE-CICLO"
"Dentro da névoa"
https://pixabay.com (intographics)
Vem lá de dentro
uma coisa indefinida
Sai de qualquer jeito
diz adeus
Não acena
nem olha nos olhos
diz adeus
e sai de cena
Mergulha sobre si mesma
rumo ao desconhecido
Nada de despedida
nem um papel
Vem lá de dentro
um vazio indefinido
que a coisa deixou lá
sem oi
Não há substituição
Não há matéria mais
nem alma nem condição
nem dica do que virá
Vem lá de dentro
um vazio invisível
que gesta outra coisa
pra se despedir
É preciso vir de fora a semente
silenciar
recomeçar
até tudo se repetir...
[Adhemar - São Paulo, 24/05/2014]
terça-feira, 28 de novembro de 2017
RASTREAMENTO
Uma nova órbita estelar,
uma trilha na montanha,
outra rota no mar.
Um sinal que acompanha,
um pulso, um quasar.
Partícula de matéria,
parece que a coisa é séria,
se esconde em qualquer lugar.
Um disfarce de mulher,
um esconderijo impopular.
Roteiro aleatório e vulgar,
um barco pra navegar fé.
Um sinal que alcança
o pulso do radar;
um sinal de esperança,
uma chance de encontrar.
Um recôndito recôncavo;
profundo, especular,
desligado e desconexo,
completamente fora do ar.
Um grande sinal do Universo,
impossível de captar.
Se não pegou nesse verso,
em nada mais vai pegar.
[Aadhemar - São Paulo, 10/01/2010]
uma trilha na montanha,
outra rota no mar.
Um sinal que acompanha,
um pulso, um quasar.
Partícula de matéria,
parece que a coisa é séria,
se esconde em qualquer lugar.
Um disfarce de mulher,
um esconderijo impopular.
Roteiro aleatório e vulgar,
um barco pra navegar fé.
Um sinal que alcança
o pulso do radar;
um sinal de esperança,
uma chance de encontrar.
Um recôndito recôncavo;
profundo, especular,
desligado e desconexo,
completamente fora do ar.
Um grande sinal do Universo,
impossível de captar.
Se não pegou nesse verso,
em nada mais vai pegar.
[Aadhemar - São Paulo, 10/01/2010]
terça-feira, 21 de novembro de 2017
CASA
Tudo passou tão depressa...
Uma surpresa tão linda...
E, finalmente, a saudade...
Um no outro ficamos
morando tão docemente...
Mas...
A vida ensinou a prudência
que inibe a intuição...
Tudo passou tão depressa...
E...
Nos falta agora o carinho
daquele momento tão bom.
Mas...
Podes crer no destino:
já moras no meu coração.
P/ MBM
[Adhemar - Pedro Juan Caballero, 27/07/1987]
Uma surpresa tão linda...
E, finalmente, a saudade...
Um no outro ficamos
morando tão docemente...
Mas...
A vida ensinou a prudência
que inibe a intuição...
Tudo passou tão depressa...
E...
Nos falta agora o carinho
daquele momento tão bom.
Mas...
Podes crer no destino:
já moras no meu coração.
P/ MBM
[Adhemar - Pedro Juan Caballero, 27/07/1987]
segunda-feira, 6 de novembro de 2017
ROTINAS
[Olhos_castanhos (arquivo de imagens da internet)]
Te encontrei ontem,
por acaso,
muito longe daqui.
Pra variar,
você bem na minha frente;
me olhando nos olhos,
como sempre.
Sustentei teu olhar,
olhos nos olhos;
tentando decifrar teus pensamentos,
teu sorriso,
teu ar enigmático e conciso.
Lembrar teu passado
e pensar presente.
Você lá, firme e parada,
olhando nos meus olhos,
como sempre.
Suspirei.
Não disse nada, nem tentei.
Mais uma vez te olhei,
olhos nos olhos,
fixamente.
Em seguida,
o álbum de fotos fechei;
e chorei o que tenho chorado,
como sempre...
[Adhemar - São Paulo, 17/03/2017]
quarta-feira, 1 de novembro de 2017
METÁFORAS
Metáforas.
Fortes
ou fracas.
Sutis,
felizes ou opacas.
Explícitas,
compactas.
Moeda
de troca dos poetas.
Firmes.
Terríveis.
Incompletas.
Metáforas.
Bases
de sonhos.
Operações
delicadas.
Claras,
inteligíveis, simpáticas.
Matemáticas.
Resumidas,
práticas.
Metafóricas.
Sinceras.
Erráticas.
Metáforas.
Absurdas,
enigmáticas...
Frutos
ou sementes?
Promissoras.
Misteriosas.
Emblemáticas.
Metáforas.
Licenças
poéticas,
sentidos
adormecidos.
Simplificadas
ou dialéticas.
Preferenciais
ou sorumbáticas.
Paralelas.
Incorrigíveis.
Performáticas...[Adhemar - São Paulo, 04/08/2017]
segunda-feira, 30 de outubro de 2017
PATIFARIA MALANDRA
A segunda parte do fato repetido. A traição da lembrança, o abandono. O raio que rompe o silêncio, o grito que causa o brilho. Estranho sentimento. A rima implícita no pensar. Escorre um líquido no peito, um pronto desaparece. A oração fora do modelo, a forma dentro dos ideais. O meio comporta o morto, aqui jaz um alienado. O fim nunca se justifica, nada há para explicar. O mau tempo alimenta, o medo é que faz diferença.
Uma grande fechadura encerra mistério e arte. Curiosidade inerte, aflita e angustiada. Não dá pra rir dessa interferência. Mão levantada na plateia, anel brilhante. O reflexo que se mostra na pupila às vezes some. Roubar o mosquito da teia. A fome da aranha. Aprofundar o conhecimento. Encalhar. Braços abertos em cruz, nada de nadar. O fato elegante. A roupa da missa. A lista. O acréscimo da frase. O que significa. A relatividade do tempo. O vaso vazio. A carga caída, a mula empacada. Receita de bolo. Um ovo.
A terceira parte do fato repetido. Trovões e tempestade. Um ritual pagão e a festa religiosa. Crença exposta. Tantas afirmativas sem perguntas, filosofias utópicas. Onde o mundo faz a curva, o horizonte entorta. A cabeça vai cheia de respostas.
As infinitas partes do fato que não se acaba; que vira notícia, novela ou conto. Pode ser mentira, romance, calçada. Pode ser uma fama fria ou só um grande tanto de palavras sem nenhum significado. Querendo dizer nada. Ou querendo dizer: nada!
[Adhemar - São Paulo, 09 a 30/10/2017]
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