Entre tantas dores me levanto,
recordo outros amores,
em prantos me derramo.
Entre tantas amadas te escolho,
me recolho da timidez de tonto,
no coração me escondo.
Entre tantos estrondos, um eco,
tenho um treco, te escondes.
Como é que escondestes o que amo...?
Para onde tu fugiste...?
Entre tantos remorsos, tantas lágrimas,
páginas derramadas do teu sofrimento,
um momento, me arrependo...
Entre tantas declarações, tu as fizeste,
não que não preste o meu não.
Covarde coração repleto de ilusões.
Entre teus olhos tristes, tuas mãos;
desespero, lassidão e abandono.
Eu, na fome, cão sem dono...
Entre teus desejos eu deserto.
Nada perto, nada beijos.
Teu abraço, nem de perto.
Entre tantas dores me levanto,
em prantos me derramo;
mas o destino quis assim;
eu só lamento, não reclamo...
[Adhemar - São Paulo, 27/02/2017]
Impressões pessoais e a sutileza que entremeia diferentes expressões destas artes: a arquitetura da poesia e a poesia da arquitetura! Vida. (Imagem: Perspectiva do Labirinto - Foto: Adh2bs)
quarta-feira, 30 de maio de 2018
domingo, 20 de maio de 2018
TÚMULO
Nas vagas da meia-noite
meio mar em chamas.
Nas ondas da maré morta
meio mar em brumas.
No silêncio do veleiro
um velório.
Orações ao marinheiro,
luz bruxoleante.
Distraída vela,
chama na escuridão da morte.
Noite linda, sem estrelas,
veludo negro, ondas de rendas.
Bruxa esvoaçante, sarcasmo e riso.
Mesmo no respeito póstumo
posta uma ironia,
fina sintonia.
Murmúrio surdo da cantiga,
cantilena antiga.
Alma de encomenda
na garupa da vassoura voadora.
Luto mortiço.
Ar infestado de maresia,
de respeito, de espuma;
o mar por sepulcro.
O bravo marinheiro
volta ao mar pra sempre neste dia.
Apaga-se, última vela,
a noite está vazia.
[Adhemar
- São Paulo, 22/02/2017]
domingo, 13 de maio de 2018
POLIDEZ E BRILHO
Depois de algum tempo,
uma ocorrência.
Incidiu um pensamento,
eclodiu com violência.
O pensamento escorreu vermelho,
incontinência.
Cacos do mesmo espelho
quebrado na consciência.
Malfadado! Maldito! Pentelho!!!
Impertinência.
Ignorou o conselho,
ignorou a consciência.
Fato consumado,
impaciência.
O cérebro todo espalhado
vibrando na frequência...
Um fio de cabelo, um momento,
uma indecência.
Despenteado no vento
o rosto nu da inocência...
[Adhemar - São Paulo, 14/01/2010]
uma ocorrência.
Incidiu um pensamento,
eclodiu com violência.
O pensamento escorreu vermelho,
incontinência.
Cacos do mesmo espelho
quebrado na consciência.
Malfadado! Maldito! Pentelho!!!
Impertinência.
Ignorou o conselho,
ignorou a consciência.
Fato consumado,
impaciência.
O cérebro todo espalhado
vibrando na frequência...
Um fio de cabelo, um momento,
uma indecência.
Despenteado no vento
o rosto nu da inocência...
[Adhemar - São Paulo, 14/01/2010]
quinta-feira, 3 de maio de 2018
SUPOSIÇÃO
[Esfinge e pirâmide em Gizé (Educolorir.com)]
Esfinge
Egípcia
de um súbito calor se revela
um rubor
sobe pela face
intimida o sorriso
e dança
numa outra cadência
outro ritmo
brinca de ir e vir
o sorriso do olhar
se revelando impreciso
o olhar do sorriso
se divertindo
sorrindo de improviso
indo e vindo
atravessando
enviesando
tímido e lindo
Enigma
não se revela
nem mentindo
[Adhemar - São Paulo, 04/11/2017]
domingo, 22 de abril de 2018
AMIZADE SUSPEITA
O prazer de ver-te
se renova a cada encontro;
se acreditas no que digo
quero dizer-te
que a satisfação de conversarmos
se renova a cada olhar
Gostaria que soubesses
da admiração que mora em mim
Creio seja tudo muito pouco
para merecer tua amizade
mas, no entanto,
neste instante em que penso em ti,
acredito em tudo;
e que o futuro seja
como nos for legado...
A delicadeza da vida
teima em nos semear emoções;
que nem sempre cuidamos,
que nem sempre colhemos
que nem sempre percebemos.
Às vezes nos surpreende,
dois olhos tirstes nos prendem,
dois olhos vivos nos acompanham...
Na beleza de cada alma,
no desenvolver de cada emoção semeada,
broto do sentimento de amor ou paixão,
no movimento do vento
balançando um "trigal",
balançando um velho esquecimento
de um passado igual...
No canto de um verso triste
ou na mais descarada união
ou na amizade suspeita...
temos a delicadeza da vida
teimando em nos semear emoção...
[P/ BSF]
[Adhemar - Pedro Juan Caballero, 29/07/1987]
se renova a cada encontro;
se acreditas no que digo
quero dizer-te
que a satisfação de conversarmos
se renova a cada olhar
Gostaria que soubesses
da admiração que mora em mim
Creio seja tudo muito pouco
para merecer tua amizade
mas, no entanto,
neste instante em que penso em ti,
acredito em tudo;
e que o futuro seja
como nos for legado...
A delicadeza da vida
teima em nos semear emoções;
que nem sempre cuidamos,
que nem sempre colhemos
que nem sempre percebemos.
Às vezes nos surpreende,
dois olhos tirstes nos prendem,
dois olhos vivos nos acompanham...
Na beleza de cada alma,
no desenvolver de cada emoção semeada,
broto do sentimento de amor ou paixão,
no movimento do vento
balançando um "trigal",
balançando um velho esquecimento
de um passado igual...
No canto de um verso triste
ou na mais descarada união
ou na amizade suspeita...
temos a delicadeza da vida
teimando em nos semear emoção...
[P/ BSF]
[Adhemar - Pedro Juan Caballero, 29/07/1987]
domingo, 15 de abril de 2018
VAGA
Estava perdido
um sinal apontou novo
caminho
ainda que conhecido
desbravando o colonizado
Estava desgarrado
meu rebanho passou d'outro
lado
um velho desvio
conhecido e ignorado
Estava desiludido
uma luz acendeu
mensagem brilhante de
opaco sentido
lindamente desfigurado
Estava sentado
um hino tocou
a banda passou
levantei-me
havia alguém mais cansado
[Adhemar - São Paulo,13/05/2015]
domingo, 8 de abril de 2018
PALIDEZ
"Harmony does not exist, my love, harmony does not exist"
[MAC-100, Swarovski, Milão, 2010 (foto: Adh2bs)]
Uma lembrança cruel tomou corpo,
invadiu minha impaciência.
Me cercou, circundou e zombou
desenterrando um velho cadáver.
Expulsou um sentimento,
emoldurou o teu rosto.
Emoldurou teu sorriso,
imortalizou o teu gesto.
Gravou tua voz,
imprimiu - ou impôs - teu olhar.
Uma lembrança cruel escarneceu
o curto tempo de então.
Não comoveu nem lamentou
os diferentes rumos que tomamos.
Você sumiu para sempre,
só essa lembrança restou.
Cruel ela se levanta,
pra me assombrar, meu amor.
Para um dos fantasmas d'antanho...
[Adhemar - São Paulo, 14/01/2010]
EXIBIÇÃO
Falei demais.
Me expus demais.
Fui soterrado por uma
avalanche de emoções,
de sugestões, de
palpites.
Ganhei de graça, sem pedir,
mapas guias e roteiros
que não sou obrigado a
seguir.
Mas me alertaram:
"você está
avisado!"
Tracei meus planos, plena
dor,
me resolvi.
Eis que uma volta
- reviravolta? -
me leva ao mesmo lugar,
mesma situação.
Mesmo andar opressivo
na contrária direção
aonde tinha decidido não ir!
Falei demais.
Me expus demais.
coloquei-me em cheque,
tantas "várias"
frentes,
nem dou conta mais.
Andei na corda
sem rede abaixo.
Ainda que por um fio, não
caí...
Mas...
Abaixo está o vazio,
o abismo dos meus ideais.
O que quero pra frente,
o que deixo pra trás.
Não rompo o casulo,
não saio do ovo,
apesar do esforço...
Não tenho medo,
não tenho coragem,
não tenho mais planos.
Apenas esculpo a imagem
na espuma de sabão e
segredo.
Falei demais.
Me expus demais.
Agora me vejo na
contingência
de me tirar de cartaz.[Adhemar - São Paulo, 14/03/2018]
sábado, 10 de março de 2018
DOMÍNIOS
Números primos.
Inúmeros amigos.
Pedras nas metáforas.
Sonhos antigos.
Uma grande guerra.
Sinistra. Interna.
Estratégias diáfanas,
perdidas na fumaça.
Plateia de estádios,
entusiasmo de torcida.
Aplauso em estágios.
Adeus em expectativa.
Sorte lançada,
numerosos inimigos.
Vaia ensaiada,
jogada de improviso.
Quem avisa é amigo.
Decida-se: fique ou saia.
Não importa; acerte ou encerre,
www ponto com ponto br...
[Adhemar - São Paulo, 13/01/2017]
Inúmeros amigos.
Pedras nas metáforas.
Sonhos antigos.
Uma grande guerra.
Sinistra. Interna.
Estratégias diáfanas,
perdidas na fumaça.
Plateia de estádios,
entusiasmo de torcida.
Aplauso em estágios.
Adeus em expectativa.
Sorte lançada,
numerosos inimigos.
Vaia ensaiada,
jogada de improviso.
Quem avisa é amigo.
Decida-se: fique ou saia.
Não importa; acerte ou encerre,
www ponto com ponto br...
[Adhemar - São Paulo, 13/01/2017]
segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018
PLANO DE JOGO
Neste cárcere de papel
tento aprisionar um momento,
um pensamento, um fato.
Tecendo um breve relato,
relatório, poema.
Nem sei se é prisão ao certo,
o correto, a expressão.
Só sei que é uma corrente,
torrente, escorrente...
Neste cárcere de papel
tento aprisionar uma ideia,
megera, Medéia,
tratado ou documento.
É tudo tão revirado,
carece de esforço e sentido.
Neste cárcere de papel,
destrancado,
um breve registro,
ou breve passagem,
para não perder a viagem;
lugar comum, logaritmo.
Liberdade concentrada,
ir e vir circunscrito.
Neste cárcere de papel
não conta o que já foi dito;
é só o testemunho silencioso
de pensamentos barulhentos...
[Adhemar - São Paulo, 14/01/2010]
tento aprisionar um momento,
um pensamento, um fato.
Tecendo um breve relato,
relatório, poema.
Nem sei se é prisão ao certo,
o correto, a expressão.
Só sei que é uma corrente,
torrente, escorrente...
Neste cárcere de papel
tento aprisionar uma ideia,
megera, Medéia,
tratado ou documento.
É tudo tão revirado,
carece de esforço e sentido.
Neste cárcere de papel,
destrancado,
um breve registro,
ou breve passagem,
para não perder a viagem;
lugar comum, logaritmo.
Liberdade concentrada,
ir e vir circunscrito.
Neste cárcere de papel
não conta o que já foi dito;
é só o testemunho silencioso
de pensamentos barulhentos...
[Adhemar - São Paulo, 14/01/2010]
Assinar:
Postagens (Atom)

