Cometa é uma palavra engraçada.
Apesar de indicar um astro errante
pode ser um "faça", um "realize".
Cometa não pode ser um deslize
ou um "ache um diamante",
mas pode ser "faça" uma palhaçada.
Estrela é uma palavra de sorte.
Apesar de indicar um astro fixo
pode ser do céu, do mar, da areia.
De longe ela brilha, ou incendeia;
de perto é pontuda, cheia de bico,
mas, estrela é mesmo um nome forte.
Sol. O pai dos solitários.
Apesar de indicar astro brilhante,
cheio de calor, de cor e de energia
pode ser o patrono da magia,
um deus egípcio, irRAdiante.
O sol maior com filhos vários.
Lua é o elemento do mistério.
Apesar de indicar nosso satélite,
dos enamorados é símbolo e protetora;
dos astronautas é meta e professora,
uma lâmpada supérstite.
Lua, mesmo nua, tem o ar sério.
Planeta é o astro habitado.
No caso Terra, abriga a humanidade.
Nos outros casos são as possibilidades
de vida, de existências, de cidades
como só na Terra a gente acha que é verdade.
Planeta Terra, habitat do macaco comportado... Comportado?!
E o poeta, astrônomo honorário,
com o telescópio sentimento
de mapear o Universo,
com letras, palavras e versos.
Cometa, Estrela, Sol e movimento;
planeta Amor, Lua e o extraordinário!
[Adhemar - São Paulo, 28/02/2017]
Impressões pessoais e a sutileza que entremeia diferentes expressões destas artes: a arquitetura da poesia e a poesia da arquitetura! Vida. (Imagem: Perspectiva do Labirinto - Foto: Adh2bs)
domingo, 22 de julho de 2018
segunda-feira, 9 de julho de 2018
TARDE, TARDE, REBELDE...
Me mandaram, eu fui.
Não me pergunte aonde.
Me mandaram, obedeci.
Não me pergunte o quê.
Me mandaram, recebi.
Não me pergunte por quê.
Me mandaram...
Se tinham autoridade, não
sei.
Me mandaram...
Mas eu banquei a passagem!
Me mandaram de graça.
Tá aí!
Mandaram,
mandaram,
mandaram.
Saí,
obedeci,
recebi.
Até que olhei firme, abri os
braços.
Aí, me disseram:
Até que enfim!Nunca é
tarde...
[Adhemar - São Paulo,
14/05/2008]
sexta-feira, 22 de junho de 2018
MORDAÇA
Se eu pudesse falar das coisas simples,
essas que brotam espontâneas
ou no coração ou noutras praças;
talvez ruborizasse,
ou ficasse sem graça;
talvez me entusiasmasse
e em altos brados... bradaria.
Transformaria tais dizeres num discurso
e nem a muito pulso calaria.
Não esperava um pouco
nem deixava pra outro dia.
Certamente ficaria rouco
e vermelho de sem fôlego.
Talvez eu imprimisse um pouco de poesia
e na dureza das palavras
diluísse um pouco de doçura.
Na loucura do assunto e da ironia
eu não me importaria
de emprestar alguma lucidez;
ou então quem sabe,
também talvez,
embutisse umas piadas
recheando de infames trocadilhos,
desbocados, chulos palavrões
e termos bem fora dos trilhos.
Enfim,
se eu pudesse falar das coisas simples
eu as complicaria!
Enfim,
seria essa toda a minha obra:
a poesia de uma vida
mais um dia!
[Adhemar - São Paulo, 21/06/2010]
essas que brotam espontâneas
ou no coração ou noutras praças;
talvez ruborizasse,
ou ficasse sem graça;
talvez me entusiasmasse
e em altos brados... bradaria.
Transformaria tais dizeres num discurso
e nem a muito pulso calaria.
Não esperava um pouco
nem deixava pra outro dia.
Certamente ficaria rouco
e vermelho de sem fôlego.
Talvez eu imprimisse um pouco de poesia
e na dureza das palavras
diluísse um pouco de doçura.
Na loucura do assunto e da ironia
eu não me importaria
de emprestar alguma lucidez;
ou então quem sabe,
também talvez,
embutisse umas piadas
recheando de infames trocadilhos,
desbocados, chulos palavrões
e termos bem fora dos trilhos.
Enfim,
se eu pudesse falar das coisas simples
eu as complicaria!
Enfim,
seria essa toda a minha obra:
a poesia de uma vida
mais um dia!
[Adhemar - São Paulo, 21/06/2010]
segunda-feira, 18 de junho de 2018
SAÍDA POR CIMA
Deixe cair o que for preciso.
Só não abaixe o olhar,
permaneça altivo.
Finja uma pesada indiferença
de forma a não transparecer a dor.
Engula aquela lágrima teimosa.
Queime a tristeza
junto com as fotos do seu ex-amor.
Agarre-se na corda desse fundo poço
com elegância e destemor.
Mas saiba que a vida é uma joça,
não há remédio pra essa dor.
Por fim, seja orgulhoso
e vá em frente sem vacilo.
Não deixe que o vejam mancar.
Mantenha-se ereto e positivo.
E, quando ninguém mais te olhar,
sente-se e chore, é preciso...
[Adhemar - São Paulo, 30/06/2017]
Só não abaixe o olhar,
permaneça altivo.
Finja uma pesada indiferença
de forma a não transparecer a dor.
Engula aquela lágrima teimosa.
Queime a tristeza
junto com as fotos do seu ex-amor.
Agarre-se na corda desse fundo poço
com elegância e destemor.
Mas saiba que a vida é uma joça,
não há remédio pra essa dor.
Por fim, seja orgulhoso
e vá em frente sem vacilo.
Não deixe que o vejam mancar.
Mantenha-se ereto e positivo.
E, quando ninguém mais te olhar,
sente-se e chore, é preciso...
[Adhemar - São Paulo, 30/06/2017]
sábado, 2 de junho de 2018
ESTAÇÃO 55
Estar com mais dúvidas aos 55
anos do que se tinha aos 20; será normal?
Não lembro se escrevi algo
quando fiz 50. Aos 51, lembro-me de ter escrito algo – que não recordo se
tornei público – intitulado “meio século mais um”. Nunca dei muita bola pra
esse negócio do meu próprio aniversário, embora sempre faça uma reflexão nessa
época, parecida com a de final de ano; balanço semestral, saca? Vantagem (?!)
de aniversariar no meio do ano...
Acho bacana as pessoas te
cumprimentarem; mas me bate sempre um remorso porque quase nunca eu lembro do aniversário
de quase todo mundo... Nesse ponto, bendito facebook, que nos lembra! Embora eu
seja um “facebooker” bissexto, acabo mandando um parabéns ou outro pro pessoal
da minha lista, mesmo meio atrasado.
Meio século mais cinco... Ou, “meio
século mais um lustro”, como diria o meu avô...
Nessas reflexões deste ano me
lembrei, com saudade, dos entes queridos ausentes. Pai, mãe, avós, tios... O
que será que passavam, ou pensavam, aos 55 anos? Será que tinham dúvidas? Será
que já tinham planejado esse futuro cada vez mais curto? Eu ainda tenho planos:
minha principal meta agora é ver o meu caçula formado. As outras dizem respeito
a trabalho, ainda na esperança de fazer o calço nem começado de garantir a
renda da velhice; e viajar, se possível em todos os próximos anos que Deus me
conceder. Uma ou outra meta ligada a vaidade: publicar uns livros. São 5
projetos: dois estão esboçados (um mais avançado do que o outro), um em forma
de roteiro e outros dois só na cachola mesmo.
Aos 55 a gente nem dorme
direito, que dirá sonhar... Sonhar com
um mundo mais justo, com pessoas mais compreensivas e menos egoístas... Essas
utopias não me comovem mais, infelizmente. Aperfeiçoar a espiritualidade? Tem
gente querendo me convencer que a alma morre junto com a carcaça. Sério?! Ainda
prefiro o otimismo dos espíritas...
Gostaria mesmo é de aperfeiçoar
o comportamento: ser mais comedido, cuidar mais da “machina”, que anda muito
grande e meio emperrada. Gostaria de ser mais concentrado, menos distraído;
perdi outro aparelho celular. Se não me engano, o sexto em menos de três anos!
Para provar essa excessiva distração e alheamento, o rascunho deste texto está
num caderno com capa e contracapa parecidos; comecei escrevendo, sem perceber,
com o caderno de cabeça pra baixo... Resultado: após duas páginas dei com outro
texto escrito invertido (isto é, estava certo...). Aí, você inverte o caderno e
“volta pra frente” para achar as outras páginas que, agora sim, estão em pé
como deve estar um privilegiado ser humano de – ou – aos 55 anos!
Meu muito obrigado a todos
aqueles que enviaram seus cumprimentos e a todos aqueles que tiveram a
paciência de ler este texto até aqui.
Abração!
Adhemar
– São Paulo, 01/06/2018
quarta-feira, 30 de maio de 2018
CÃO SEM DONO
Entre tantas dores me levanto,
recordo outros amores,
em prantos me derramo.
Entre tantas amadas te escolho,
me recolho da timidez de tonto,
no coração me escondo.
Entre tantos estrondos, um eco,
tenho um treco, te escondes.
Como é que escondestes o que amo...?
Para onde tu fugiste...?
Entre tantos remorsos, tantas lágrimas,
páginas derramadas do teu sofrimento,
um momento, me arrependo...
Entre tantas declarações, tu as fizeste,
não que não preste o meu não.
Covarde coração repleto de ilusões.
Entre teus olhos tristes, tuas mãos;
desespero, lassidão e abandono.
Eu, na fome, cão sem dono...
Entre teus desejos eu deserto.
Nada perto, nada beijos.
Teu abraço, nem de perto.
Entre tantas dores me levanto,
em prantos me derramo;
mas o destino quis assim;
eu só lamento, não reclamo...
[Adhemar - São Paulo, 27/02/2017]
recordo outros amores,
em prantos me derramo.
Entre tantas amadas te escolho,
me recolho da timidez de tonto,
no coração me escondo.
Entre tantos estrondos, um eco,
tenho um treco, te escondes.
Como é que escondestes o que amo...?
Para onde tu fugiste...?
Entre tantos remorsos, tantas lágrimas,
páginas derramadas do teu sofrimento,
um momento, me arrependo...
Entre tantas declarações, tu as fizeste,
não que não preste o meu não.
Covarde coração repleto de ilusões.
Entre teus olhos tristes, tuas mãos;
desespero, lassidão e abandono.
Eu, na fome, cão sem dono...
Entre teus desejos eu deserto.
Nada perto, nada beijos.
Teu abraço, nem de perto.
Entre tantas dores me levanto,
em prantos me derramo;
mas o destino quis assim;
eu só lamento, não reclamo...
[Adhemar - São Paulo, 27/02/2017]
domingo, 20 de maio de 2018
TÚMULO
Nas vagas da meia-noite
meio mar em chamas.
Nas ondas da maré morta
meio mar em brumas.
No silêncio do veleiro
um velório.
Orações ao marinheiro,
luz bruxoleante.
Distraída vela,
chama na escuridão da morte.
Noite linda, sem estrelas,
veludo negro, ondas de rendas.
Bruxa esvoaçante, sarcasmo e riso.
Mesmo no respeito póstumo
posta uma ironia,
fina sintonia.
Murmúrio surdo da cantiga,
cantilena antiga.
Alma de encomenda
na garupa da vassoura voadora.
Luto mortiço.
Ar infestado de maresia,
de respeito, de espuma;
o mar por sepulcro.
O bravo marinheiro
volta ao mar pra sempre neste dia.
Apaga-se, última vela,
a noite está vazia.
[Adhemar
- São Paulo, 22/02/2017]
domingo, 13 de maio de 2018
POLIDEZ E BRILHO
Depois de algum tempo,
uma ocorrência.
Incidiu um pensamento,
eclodiu com violência.
O pensamento escorreu vermelho,
incontinência.
Cacos do mesmo espelho
quebrado na consciência.
Malfadado! Maldito! Pentelho!!!
Impertinência.
Ignorou o conselho,
ignorou a consciência.
Fato consumado,
impaciência.
O cérebro todo espalhado
vibrando na frequência...
Um fio de cabelo, um momento,
uma indecência.
Despenteado no vento
o rosto nu da inocência...
[Adhemar - São Paulo, 14/01/2010]
uma ocorrência.
Incidiu um pensamento,
eclodiu com violência.
O pensamento escorreu vermelho,
incontinência.
Cacos do mesmo espelho
quebrado na consciência.
Malfadado! Maldito! Pentelho!!!
Impertinência.
Ignorou o conselho,
ignorou a consciência.
Fato consumado,
impaciência.
O cérebro todo espalhado
vibrando na frequência...
Um fio de cabelo, um momento,
uma indecência.
Despenteado no vento
o rosto nu da inocência...
[Adhemar - São Paulo, 14/01/2010]
quinta-feira, 3 de maio de 2018
SUPOSIÇÃO
[Esfinge e pirâmide em Gizé (Educolorir.com)]
Esfinge
Egípcia
de um súbito calor se revela
um rubor
sobe pela face
intimida o sorriso
e dança
numa outra cadência
outro ritmo
brinca de ir e vir
o sorriso do olhar
se revelando impreciso
o olhar do sorriso
se divertindo
sorrindo de improviso
indo e vindo
atravessando
enviesando
tímido e lindo
Enigma
não se revela
nem mentindo
[Adhemar - São Paulo, 04/11/2017]
domingo, 22 de abril de 2018
AMIZADE SUSPEITA
O prazer de ver-te
se renova a cada encontro;
se acreditas no que digo
quero dizer-te
que a satisfação de conversarmos
se renova a cada olhar
Gostaria que soubesses
da admiração que mora em mim
Creio seja tudo muito pouco
para merecer tua amizade
mas, no entanto,
neste instante em que penso em ti,
acredito em tudo;
e que o futuro seja
como nos for legado...
A delicadeza da vida
teima em nos semear emoções;
que nem sempre cuidamos,
que nem sempre colhemos
que nem sempre percebemos.
Às vezes nos surpreende,
dois olhos tirstes nos prendem,
dois olhos vivos nos acompanham...
Na beleza de cada alma,
no desenvolver de cada emoção semeada,
broto do sentimento de amor ou paixão,
no movimento do vento
balançando um "trigal",
balançando um velho esquecimento
de um passado igual...
No canto de um verso triste
ou na mais descarada união
ou na amizade suspeita...
temos a delicadeza da vida
teimando em nos semear emoção...
[P/ BSF]
[Adhemar - Pedro Juan Caballero, 29/07/1987]
se renova a cada encontro;
se acreditas no que digo
quero dizer-te
que a satisfação de conversarmos
se renova a cada olhar
Gostaria que soubesses
da admiração que mora em mim
Creio seja tudo muito pouco
para merecer tua amizade
mas, no entanto,
neste instante em que penso em ti,
acredito em tudo;
e que o futuro seja
como nos for legado...
A delicadeza da vida
teima em nos semear emoções;
que nem sempre cuidamos,
que nem sempre colhemos
que nem sempre percebemos.
Às vezes nos surpreende,
dois olhos tirstes nos prendem,
dois olhos vivos nos acompanham...
Na beleza de cada alma,
no desenvolver de cada emoção semeada,
broto do sentimento de amor ou paixão,
no movimento do vento
balançando um "trigal",
balançando um velho esquecimento
de um passado igual...
No canto de um verso triste
ou na mais descarada união
ou na amizade suspeita...
temos a delicadeza da vida
teimando em nos semear emoção...
[P/ BSF]
[Adhemar - Pedro Juan Caballero, 29/07/1987]
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