Onde está aquela música sublime,
tão doce, tão triste,
cantada pelos teus olhos
chamada "caso de amor"?
Onde está aquela sensação criativa,
tão doce, sublime,
dada pela tua boca
num beijo de alto calor?
Onde estão os teus olhos - e olhar -
banhados do brilho mais lindo,
profundo,
no fundo a mais bela cor?
Onde está o teu corpo inteiro, tão lindo,
de movimentos criativos
dados pela tua força
no livre exercício do amor?
P/ MG
[Adhemar, São Paulo, 18/11/1987]
Impressões pessoais e a sutileza que entremeia diferentes expressões destas artes: a arquitetura da poesia e a poesia da arquitetura! Vida. (Imagem: Perspectiva do Labirinto - Foto: Adh2bs)
sexta-feira, 23 de novembro de 2018
terça-feira, 20 de novembro de 2018
LETRAS MIÚDAS
Escorre uma caligrafia imprecisa
Letras incompletas, advinhas
Um código secreto e sem guias
Um alfabeto subjetivo, quem precisa?
Escorre a vida assim, indefinida
Letras miúdas, procurando sentido
Um código decifrado e decidido
Uma ilusão mais do que atrevida
Ouvem-se gritos escritos no papel
Letras tímidas, de repente expandidas
Um código de pacto das palavras banidas
Uma frase de efeito num estrépito tropel
Escorre sangue de uma aberta ferida
Letras ferozes, incontidas guerreiras
Um código atrabiliário de besteiras
Uma panela, um prato de comida
Escorre a alma do corpo, deixa a vida
Letras frias numa lápide magoada
Um código de chave abandonada
Uma ilusão, que para sempre está perdida...
[Adhemar - São Paulo, 02/08/2017]
Letras incompletas, advinhas
Um código secreto e sem guias
Um alfabeto subjetivo, quem precisa?
Escorre a vida assim, indefinida
Letras miúdas, procurando sentido
Um código decifrado e decidido
Uma ilusão mais do que atrevida
Ouvem-se gritos escritos no papel
Letras tímidas, de repente expandidas
Um código de pacto das palavras banidas
Uma frase de efeito num estrépito tropel
Escorre sangue de uma aberta ferida
Letras ferozes, incontidas guerreiras
Um código atrabiliário de besteiras
Uma panela, um prato de comida
Escorre a alma do corpo, deixa a vida
Letras frias numa lápide magoada
Um código de chave abandonada
Uma ilusão, que para sempre está perdida...
[Adhemar - São Paulo, 02/08/2017]
sábado, 10 de novembro de 2018
ENTARDECER
"Entardecer" (Imagem da Internet)
Saí assim, contrariado...
Um tanto quanto por fazer,
um tanto quanto avariado...
Saí assim, ao entardecer.
Talvez assim, meio de lado,
um tanto pra enternecer.
Saí assim, meio zangado,
um pouco antes do anoitecer,
com tantos bares fechados...
Saí assim, pra acontecer.
Meio teatro de tablado,
um meio pão pra amanhecer.
Saí assim: olhos vendados,
só pra te ver.
Saí assim, contrariado...
Um tanto quanto por fazer,
um tanto quanto avariado...
Saí assim, ao entardecer.
Talvez assim, meio de lado,
um tanto pra enternecer.
Saí assim, meio zangado,
um pouco antes do anoitecer,
com tantos bares fechados...
Saí assim, pra acontecer.
Meio teatro de tablado,
um meio pão pra amanhecer.
Saí assim: olhos vendados,
só pra te ver.
[Adhemar - São Paulo, 08/11/2016]
sábado, 3 de novembro de 2018
AMÉM
A poesia chegou mansa
num acorde da canção
na luminosidade da noite
no murmurar do coração
A saudade chegou mansa
num acorde da paixão
na sonoridade do amor
na alegria da emoção
A tristeza chegou mansa
tão de leve, tão sutil
Denunciou a tua ausência
numa lágrima gentil
Anoiteceu; do manto negro
a paisagem se encobriu
Mando um beijo numa estrela
a primeira que surgiu
Que a benção desta noite
nos ilumine e proteja
Peço a Deus que nos conduza
nos caminhos do assim seja...
P/ BSF
[Adhemar - Rio das Pedras, 03/11/1987]
sábado, 27 de outubro de 2018
CONJUNTO
A vida de andar por aí
não à esmo
mas buscando para si mesmo
um sentido
um amplo significado
que não seja presumido
nem muito complicado
A vida de se esforçar, de pensar
não à toa
mas buscando coisa boa
produtiva
como numa cooperativa
do que seja coletivo
grupalmente trabalhado
A vida de fazer, construir
não ao acaso
mas buscando um plano raso
de onde a obra vai surgir
com estudo, com projeto
planejamento pensado e completo
que outros vão usufruir
A vida de cuidar dos filhos
não arbitrariamente
mas com critério convincente
com futuro
sendo terno, dôce e duro
alegre e comovente
exigente mas amigo e companheiro
A vida de olhar pra trás
sem ver arrependimento.
[Adhemar - São Paulo, 27/10/2006]
não à esmo
mas buscando para si mesmo
um sentido
um amplo significado
que não seja presumido
nem muito complicado
A vida de se esforçar, de pensar
não à toa
mas buscando coisa boa
produtiva
como numa cooperativa
do que seja coletivo
grupalmente trabalhado
A vida de fazer, construir
não ao acaso
mas buscando um plano raso
de onde a obra vai surgir
com estudo, com projeto
planejamento pensado e completo
que outros vão usufruir
A vida de cuidar dos filhos
não arbitrariamente
mas com critério convincente
com futuro
sendo terno, dôce e duro
alegre e comovente
exigente mas amigo e companheiro
A vida de olhar pra trás
sem ver arrependimento.
[Adhemar - São Paulo, 27/10/2006]
domingo, 21 de outubro de 2018
MESTRA CHAVE
Quero morar em teu mais recôndito segredo
e dormir no teu compartimento mais secreto
até ouvir da tua boca o decreto
a condenar-me ao exílio ou degredo
Escalaria tuas mais íngremes encostas
e observaria tuas paisagens de cima
até ouvir de tua boca uma rima
proferindo o palavrão que tu mais gostas
Sussurraria nas tuas atentas antenas
tantas bobagens que te escandalizarias
até ouvir teu riso rouco das poesias
Protegerias minha arte feito Mecenas
querendo libertar-me; tanto que amarias
respondendo ao amor com palavras obscenas...
[Adhemar - São Paulo, 14/07/2010]
domingo, 14 de outubro de 2018
TURISTA
Passante anônimo, olho as vitrines.
Me atrevo em pensamentos,
me ignoram os manequins;
me atrevo em reflexos sem brilho,
pobre de sentimentos entardecendo
e ressentimentos sem fim.
Me atrevo em pensamentos,
me ignoram os manequins;
me atrevo em reflexos sem brilho,
pobre de sentimentos entardecendo
e ressentimentos sem fim.
Caminho à esmo sobre cinzas,
sobre o enfim.
Corto a linha do horizonte
inaugurando o sol poente
ou coisa assim.
Volto às vitrines enfileiradas,
vazias de coisas vivas.
Me atrevo em pensamentos,
em reflexos anoitecidos
e nos versos adormecidos...
Passante anônimo, olho os letreiros de neon;
fico piscante e colorido
no vazio de significado
dessas luzes escandalosas,
chamativas e perigosas...
Me atrevo em reflexos sem brilho.
Embaçado arco-íris
nessa noite luz e som;
numa ponte enfeitada,
enfeitiçado e sonhador.
Volto aos letreiros amanhecendo,
se apagando e se escondendo
no silêncio madrugador;
me atrevo em pensamentos despertos
pelo reflexo perturbador.
Passante anônimo, olho os bares abrindo.
Me atrevo em pensamentos sorrindo,
aurora urbana,
cheia de penumbra e cinza
no consolo de um vazio sem fim.
Caminho à esmo por essas ruas sem rumo,
que pouco a pouco despertam zangadas.
Conto os ruídos pelo reflexo que vai nas calçadas;
conto os passantes com esmero e aprumo.
Me atrevo pela manhã inaugurada
através da emenda portal
que fez a linha do horizonte consertada;
é o trajeto pelo mar sem fim
dessa cidade-pensamento, afinal...
[Adhemar - São Paulo, 31/01/2015]
domingo, 7 de outubro de 2018
FUTURO OU DESTINO?
Algum apelo de impedimento.
Altivez.
Cativeiro.
Perspectivas frágeis.
Processos ineficazes.
Manifestações.
Protestos e cartazes.
Posições insustentáveis.
Algum apelo de impedimento.
Pessoal.
Lamentável.
Lamento de perdição,
de perda, desolação.
Cativeiro em condições miseráveis.
Acordes dodecafônicos.
Poluição degradante.
Painel de aviso fechado.
Desesperançado.
Placa fosforescente de aviso:
é o futuro!
Algum apelo de impedimento.
Escolha de um lado da lua:
o escuro.
[Adhemar - São Paulo, 26/05/2017]
Altivez.
Cativeiro.
Perspectivas frágeis.
Processos ineficazes.
Manifestações.
Protestos e cartazes.
Posições insustentáveis.
Algum apelo de impedimento.
Pessoal.
Lamentável.
Lamento de perdição,
de perda, desolação.
Cativeiro em condições miseráveis.
Acordes dodecafônicos.
Poluição degradante.
Painel de aviso fechado.
Desesperançado.
Placa fosforescente de aviso:
é o futuro!
Algum apelo de impedimento.
Escolha de um lado da lua:
o escuro.
[Adhemar - São Paulo, 26/05/2017]
domingo, 30 de setembro de 2018
SEMICONSCIÊNCIA
[Imagem: Espaço integrado (pixabay.com)]
Adormeci abraçado às tuas pernas
Apagado de mim
Apagado do mundo
Adormeci sonhando estradas
Fugas, viagens longas
Adormeci abraçado aos sonhos
Sonhos de vê-la mais
de tê-la mais nos braços
Adormeci na penumbra desse sentimento
Adormeci nesse berço, ou ninho dourado
Adormeci na tua ausência, ora eterna...
Adormeci na ilusão
Adormeci entre teus cachos dourados
imerso em pesadelos coloridos
Adormeci só,
no seio do teu adeus.
[Adhemar - São Paulo, 18/02/2018]
sexta-feira, 21 de setembro de 2018
STONE
Não há momento "certo" pras
coisas acontecerem... Ou "errado". Elas simplesmente acontecem,
ou aparecem. A culpa da conjuntura é relativa; nós por nós, numa análise
benevolente ou severa no confronto com os fatos. Com a vida.
Nunca vamos por as
coisas nos seus devidos limpos pratos. Sim, porque tudo é sistematicamente
aleatório, causa e consequência são cúmplices, comparsas...
O único momento
certo que existe é a paz de espírito. O momento se chama "sempre". Só
assim veremos que o momento certo pra tudo é aquele em que está acontecendo. A
serenidade absoluta desse espírito em paz é concludente e permite ações
tranquilas e bem fundamentadas nesse cotidiano faustoso e atrabiliário que
chamamos "vida".
Mesmo esse
aleatório encadeamento de acontecimentos, dos quais participamos ou assistimos,
fará sentido no mais fundo de nossos sentimentos balanceados - ou não - entre a
razão e o emocional. Aceitar pacificamente as armadilhas do destino ou os inevitáveis
fatos consumados nos fará maiores e mais hábeis no manejo de nosso próprio
desenvolvimento. Não é que seja preciso aceitar tudo passivamente; mas agir
pausada e conscientemente sentindo a plenitude de estar vivo, interferindo
nesse estranho, ainda que lindo, acaso do nosso protagonismo neste mundo.
[Adhemar - São Paulo,
31/07/2018]
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