Silhueta envolta na toalha
passos macios à distância
uma sombra que se espalha
no contorno
através da luz recortada
É uma estranha circunstância
voz que soa entrecortada
penumbra e luz em alternância
no entorno
base lisa da figura esboçada
Névoa fina percebida
vai na luz e vai na sombra com seu brilho
esvoaçando livremente agradecida
no retorno
oculta o aparente andarilho
do espaço, do ar, da vida
Se caminha ou embala o seu filho
na velocidade indevida
embrulhada com papel colorido
como adorno
amarrada com fitilho...
[Adhemar - São Paulo, 30/07/2018]
Impressões pessoais e a sutileza que entremeia diferentes expressões destas artes: a arquitetura da poesia e a poesia da arquitetura! Vida. (Imagem: Perspectiva do Labirinto - Foto: Adh2bs)
terça-feira, 15 de janeiro de 2019
domingo, 16 de dezembro de 2018
PORTAIS
Passagens abertas
Pernas pra frente
Passos acelerados
Obstáculos obscuros
Saltos ornamentais
Vibrações normais
Órbitas decididas
Certezas vacilantes
Portas entrefechadas
Balanços comovidos
Emoções controversas
Conversas cortadas
Fechaduras abertas
Travas deslocadas
Águas presentes
Pressentimentos aguados
Relógios marcantes
Tempo esmagado
Formas disformes
Uniformes diferentes
Sentidos desbotados
Bocas ausentes
Ardentes manobras
Obras escoradas...
[Adhemar - São Paulo, 21/12/2011]
Pernas pra frente
Passos acelerados
Obstáculos obscuros
Saltos ornamentais
Vibrações normais
Órbitas decididas
Certezas vacilantes
Portas entrefechadas
Balanços comovidos
Emoções controversas
Conversas cortadas
Fechaduras abertas
Travas deslocadas
Águas presentes
Pressentimentos aguados
Relógios marcantes
Tempo esmagado
Formas disformes
Uniformes diferentes
Sentidos desbotados
Bocas ausentes
Ardentes manobras
Obras escoradas...
[Adhemar - São Paulo, 21/12/2011]
sábado, 15 de dezembro de 2018
TATO
Desperto refém de sensações;
da ausência de alguém...
Alguém que não conheço
ou conheço e não sei quem.
Desperto
desatento
nessa busca por
ninguém.
Ninguém que eu
conheço
ou conheço:
será quem...?!
Desperto
concentrado
nessa ausência
de alguém
- quem sabe
quem -
não conheço ou
conheço e é alguém;
alguém que não
esqueço, mas não lembro:
me
emociona e vai além.
Desperto abraçado
na saudade dessa ausência
que é crueldade de alguém;
me conhece ou não conhece,
me tortura e me contém.
Desperto embevecido,
emocionado e
refém...
Desperto
preocupado
se esse alguém
tem me buscado,
procurado ou
esquecido
sem um guia,
sem ninguém.
Desperto desorientado nesse
vácuo;
vasto espaço, coração
desocupado...
Desperto
amargurado,
entristecido e
solitário,
vagabundo e
milionário
mas mendigo de
afago.
Desperto na
esperança,
no pra trás e
no passado.
Adormeço
abraçado
na saudade
dessa ausência...
Personagem
inventado
que nenhuma
importância agora tem...
[Adhemar - São Paulo, 26/05/2018]
domingo, 9 de dezembro de 2018
ELEFANTA
De repente a vida começa a exigir mais do que podemos dar; ou que queremos. Movimentos inesperados, esforços além do que planejamos; perspectivas antes impensáveis parecendo tão essenciais agora... E os pensamentos tumultuados querendo organizar algo inimaginável levantando o ânimo para o enfrentamento. A divisão do que fica e o que vai embarcar nessa novidade desdenhada, mas, de certa forma, desejada.
De repente a gente começa a exigir mais da vida.
[Adhemar - São Paulo, 02/04/2011]
domingo, 2 de dezembro de 2018
ISOLAMENTO
Quando a solidão invade
uma certa desorientação toma
conta.
Nenhuma perspectiva se
apresenta,
o ânimo se ausenta,
uma longa sonolência toma
conta.
Quando a solidão se encontra
bem no meio de uma vasta
multidão
a vontade se levanta,
ameaça ir embora e abre
mão da cautela
no rumo de uma fuga sem
ponta.
Quando a solidão se muda
para bem no centro do peito
ela ocupa.
Instala-se soberana,
altaneira, absoluta.
A solidão não mente,
não abandona,
nem se desculpa.[Adhemar - São Paulo, 05/06/2018]
sábado, 1 de dezembro de 2018
CONSTELAÇÃO
Estrela.
Luminosa e brilhante;
pensar que era na Estrela
que se escondia o sentimento maior.
Estrela.
Refletida pelo mar,
refletida pelo encanto.
Encantado momento
onde a repousada Estrela contemplava.
Olhos negros,
profundos como o céu que a envolve.
Delicado brilho,
delicada cor.
O homem frágil, pequenino,
ficou na praia a contar estrelas.
Delas, entretanto,
apenas uma importava,
apenas uma se sentia próxima.
O homem fascinado pela força dessa Estrela
viu que ela se aproximava
sem sentir que era ele que subia.
A Estrela foi ficando maior e mais intensa
quanto mais intensamente ele a amava.
O deserto azul e fértil mostra ao longe
sua dourada e seca paisagem.
A Estrela vai fazer surgir tesouros;
vai fazer surgir de dentro dessa areia pródiga
um forte e emocionado...
e surpreendente...
amor...!
P/ SMRN
[Adhemar - São Paulo, 01/12/1988]
Luminosa e brilhante;
pensar que era na Estrela
que se escondia o sentimento maior.
Estrela.
Refletida pelo mar,
refletida pelo encanto.
Encantado momento
onde a repousada Estrela contemplava.
Olhos negros,
profundos como o céu que a envolve.
Delicado brilho,
delicada cor.
O homem frágil, pequenino,
ficou na praia a contar estrelas.
Delas, entretanto,
apenas uma importava,
apenas uma se sentia próxima.
O homem fascinado pela força dessa Estrela
viu que ela se aproximava
sem sentir que era ele que subia.
A Estrela foi ficando maior e mais intensa
quanto mais intensamente ele a amava.
O deserto azul e fértil mostra ao longe
sua dourada e seca paisagem.
A Estrela vai fazer surgir tesouros;
vai fazer surgir de dentro dessa areia pródiga
um forte e emocionado...
e surpreendente...
amor...!
P/ SMRN
[Adhemar - São Paulo, 01/12/1988]
sexta-feira, 23 de novembro de 2018
"INDAGADIVAGAÇÃO"
Onde está aquela música sublime,
tão doce, tão triste,
cantada pelos teus olhos
chamada "caso de amor"?
Onde está aquela sensação criativa,
tão doce, sublime,
dada pela tua boca
num beijo de alto calor?
Onde estão os teus olhos - e olhar -
banhados do brilho mais lindo,
profundo,
no fundo a mais bela cor?
Onde está o teu corpo inteiro, tão lindo,
de movimentos criativos
dados pela tua força
no livre exercício do amor?
P/ MG
[Adhemar, São Paulo, 18/11/1987]
tão doce, tão triste,
cantada pelos teus olhos
chamada "caso de amor"?
Onde está aquela sensação criativa,
tão doce, sublime,
dada pela tua boca
num beijo de alto calor?
Onde estão os teus olhos - e olhar -
banhados do brilho mais lindo,
profundo,
no fundo a mais bela cor?
Onde está o teu corpo inteiro, tão lindo,
de movimentos criativos
dados pela tua força
no livre exercício do amor?
P/ MG
[Adhemar, São Paulo, 18/11/1987]
terça-feira, 20 de novembro de 2018
LETRAS MIÚDAS
Escorre uma caligrafia imprecisa
Letras incompletas, advinhas
Um código secreto e sem guias
Um alfabeto subjetivo, quem precisa?
Escorre a vida assim, indefinida
Letras miúdas, procurando sentido
Um código decifrado e decidido
Uma ilusão mais do que atrevida
Ouvem-se gritos escritos no papel
Letras tímidas, de repente expandidas
Um código de pacto das palavras banidas
Uma frase de efeito num estrépito tropel
Escorre sangue de uma aberta ferida
Letras ferozes, incontidas guerreiras
Um código atrabiliário de besteiras
Uma panela, um prato de comida
Escorre a alma do corpo, deixa a vida
Letras frias numa lápide magoada
Um código de chave abandonada
Uma ilusão, que para sempre está perdida...
[Adhemar - São Paulo, 02/08/2017]
Letras incompletas, advinhas
Um código secreto e sem guias
Um alfabeto subjetivo, quem precisa?
Escorre a vida assim, indefinida
Letras miúdas, procurando sentido
Um código decifrado e decidido
Uma ilusão mais do que atrevida
Ouvem-se gritos escritos no papel
Letras tímidas, de repente expandidas
Um código de pacto das palavras banidas
Uma frase de efeito num estrépito tropel
Escorre sangue de uma aberta ferida
Letras ferozes, incontidas guerreiras
Um código atrabiliário de besteiras
Uma panela, um prato de comida
Escorre a alma do corpo, deixa a vida
Letras frias numa lápide magoada
Um código de chave abandonada
Uma ilusão, que para sempre está perdida...
[Adhemar - São Paulo, 02/08/2017]
sábado, 10 de novembro de 2018
ENTARDECER
"Entardecer" (Imagem da Internet)
Saí assim, contrariado...
Um tanto quanto por fazer,
um tanto quanto avariado...
Saí assim, ao entardecer.
Talvez assim, meio de lado,
um tanto pra enternecer.
Saí assim, meio zangado,
um pouco antes do anoitecer,
com tantos bares fechados...
Saí assim, pra acontecer.
Meio teatro de tablado,
um meio pão pra amanhecer.
Saí assim: olhos vendados,
só pra te ver.
Saí assim, contrariado...
Um tanto quanto por fazer,
um tanto quanto avariado...
Saí assim, ao entardecer.
Talvez assim, meio de lado,
um tanto pra enternecer.
Saí assim, meio zangado,
um pouco antes do anoitecer,
com tantos bares fechados...
Saí assim, pra acontecer.
Meio teatro de tablado,
um meio pão pra amanhecer.
Saí assim: olhos vendados,
só pra te ver.
[Adhemar - São Paulo, 08/11/2016]
sábado, 3 de novembro de 2018
AMÉM
A poesia chegou mansa
num acorde da canção
na luminosidade da noite
no murmurar do coração
A saudade chegou mansa
num acorde da paixão
na sonoridade do amor
na alegria da emoção
A tristeza chegou mansa
tão de leve, tão sutil
Denunciou a tua ausência
numa lágrima gentil
Anoiteceu; do manto negro
a paisagem se encobriu
Mando um beijo numa estrela
a primeira que surgiu
Que a benção desta noite
nos ilumine e proteja
Peço a Deus que nos conduza
nos caminhos do assim seja...
P/ BSF
[Adhemar - Rio das Pedras, 03/11/1987]
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