Pela
primeira vez, em muitos anos, passei a última semana do ano em silêncio. Esse
silêncio que é uma folha em branco. Esse vazio do nada a dizer.
Pela primeira vez,
em muitos anos, passei os últimos dias do ano apenas rebatendo mecanicamente os
votos de Boas Festas, Feliz Futuro. Ecoei palavras repetitivas que - olhando
pra trás - tinham tanto significado antes, quando era outro o seu ponto de
partida: o coração. Pela primeira vez, em muitos anos, elas partiram do nada.
Pela primeira vez,
em muitos anos, não fiz a lista de todos àqueles a quem gostaria de
cumprimentar efusivamente, ainda que numa simples mensagem de final de ano. Pela
primeira vez, em muitos anos, dei preferência às fórmulas prontas sem retoques
nem acréscimos pessoais.
Pela primeira vez,
em muitos anos, passei os últimos dias do ano me afogando e me escondendo do
mundo; e de mim mesmo. Pela primeira vez, em muitos anos, começo um novo ano
sem rumo, sem planos, sem nenhuma certeza e repleto de desenganos, dúvidas,
sono...
Pela primeira vez, em muitos anos, olho no
espelho e não reconheço o ser humano.
Reflexão acerca da passagem de ano 2017-2018
[Adhemar - São Paulo,
01/01/2018]
