Distância fechada
distância preenchida
ausência vazia
sonho desertado
que uma nuvem anuncia
Sonho impossível
sonho encarcerado
amor improvável...
Paixão descontrolada
que o tempo denuncia
Amor despertado
amor desesperado
regate inesquecível
veemente, apaixonado
à tempestade prenuncia
Finalmente condenado
confinado na cadeia
por amor fica calado
deixa marejar os olhos
simplesmente renuncia...
[P/ I.N.]
[Adhemar - São Paulo, 23/10/2010]
Impressões pessoais e a sutileza que entremeia diferentes expressões destas artes: a arquitetura da poesia e a poesia da arquitetura! Vida. (Imagem: Perspectiva do Labirinto - Foto: Adh2bs)
segunda-feira, 17 de junho de 2019
quarta-feira, 12 de junho de 2019
DISTANTE
Cativo da própria inquietude.
Centro de convergência definitiva
de sentimentos definidos.
Cativo da tua ausência
sempre presente no íntimo
de íntimas dúvidas.
Ou por acaso, ou por destino,
cativo da tua existência.
Tantas coisas por falar,
tantos frutos por colher...
Mas...
Tantos limites cativam...
A solidão e a chuva
juntam-se ao pensamento.
Na travessia noturna
há o procurar-te junto.
Disfunções reais de um ser tão livre
sendo tão prisioneiro e fiel...
Buscando em cada estrela
a última palavra da tua boca.
Não ter mais nada a escrever;
só a falar...
Querendo saber
as profundas razões de existir
e querer continuar.
Sentimentos ou desrespeito?
Abertas as portas da incerteza,
qual prisão sem guardas e sem muros.
Um parque pra percorrer,
te encontrar e dizer:
AMOR.
[P/ BSF]
[Adhemar - São Paulo, 13-14/06/1988]
Centro de convergência definitiva
de sentimentos definidos.
Cativo da tua ausência
sempre presente no íntimo
de íntimas dúvidas.
Ou por acaso, ou por destino,
cativo da tua existência.
Tantas coisas por falar,
tantos frutos por colher...
Mas...
Tantos limites cativam...
A solidão e a chuva
juntam-se ao pensamento.
Na travessia noturna
há o procurar-te junto.
Disfunções reais de um ser tão livre
sendo tão prisioneiro e fiel...
Buscando em cada estrela
a última palavra da tua boca.
Não ter mais nada a escrever;
só a falar...
Querendo saber
as profundas razões de existir
e querer continuar.
Sentimentos ou desrespeito?
Abertas as portas da incerteza,
qual prisão sem guardas e sem muros.
Um parque pra percorrer,
te encontrar e dizer:
AMOR.
[P/ BSF]
[Adhemar - São Paulo, 13-14/06/1988]
sábado, 8 de junho de 2019
MOTIVO
Eu canto
porque o instante existe
E a minha vida
está completa
Não sou alegre
nem sou triste,
sou poeta
Irmão das
coisas fugidias
Não sinto gozo
nem tormento
Atravesso
noites e dias
no vento
Se desmorono
ou se edifico
Se permaneço
ou me desfaço
Não sei, não
sei. Não sei se fico
ou passo
Eu sei que canto;
e a canção é tudo
Tem sangue
eterno a asa ritmada
E um dia eu
sei que estarei mudo:
mais nada
Cecília
Meireles
segunda-feira, 3 de junho de 2019
JOGO IMPROVÁVEL
Dúvidas, espera.
Pensamentos indecisos,
atitudes incompletas,
hesitação que desespera.
Afirmações inconclusas,
indecisão, incerteza.
Lançamento à sorte
na face da esfera.
Indefinição, escolhas.
Escolta em descaminhos:
outras bolhas,
flutuantes esperanças de sabão.
Nuvens de espuma,
uma inconsistente situação.
O sorriso irresoluto,
irresponsável, efetivo.
Gás vazando do balão;
mal resolvido,
de incapacidade e rendição.
[Adhemar - São Paulo, 13/10/2011]
Pensamentos indecisos,
atitudes incompletas,
hesitação que desespera.
Afirmações inconclusas,
indecisão, incerteza.
Lançamento à sorte
na face da esfera.
Indefinição, escolhas.
Escolta em descaminhos:
outras bolhas,
flutuantes esperanças de sabão.
Nuvens de espuma,
uma inconsistente situação.
O sorriso irresoluto,
irresponsável, efetivo.
Gás vazando do balão;
mal resolvido,
de incapacidade e rendição.
[Adhemar - São Paulo, 13/10/2011]
quinta-feira, 30 de maio de 2019
AGOSTO
Procuro um pequeno verso que diga tudo
não seja mudo
não fuja tímido
Que não deixe passar Agosto
sem ao menos fazer um aceno
acender uma luz
guiar sereno
Procuro um pequeno verso que traga vento
movimento
não seja frio
não deixe passar Agosto
sem ao menos mostrar-se em tela
aparecer
falar com ela...
Procuro um pequeno verso que seja forte
que tenha sorte
que tenha tudo
e que não deixe passar Agosto
sem um sorriso
em pleno campo
e com juízo...
Procuro um pequeno verso que seja alegre
que traga o riso
certeza breve
de não deixar passar Agosto
de mãos vazias
na fome do amor ausente
no canto da flor da fonte
Procuro um pequeno verso objetivo
atraente
interessante
Que não deixe passar Agosto
por faltar algo
que seja amplo
que seja amigo
Procuro um pequeno verso que me apresente
Que não deixe passar Agosto
de repente,
assim pura e simplesmente...
[Adhemar - São Paulo, 30/05/2019]
não seja mudo
não fuja tímido
Que não deixe passar Agosto
sem ao menos fazer um aceno
acender uma luz
guiar sereno
Procuro um pequeno verso que traga vento
movimento
não seja frio
não deixe passar Agosto
sem ao menos mostrar-se em tela
aparecer
falar com ela...
Procuro um pequeno verso que seja forte
que tenha sorte
que tenha tudo
e que não deixe passar Agosto
sem um sorriso
em pleno campo
e com juízo...
Procuro um pequeno verso que seja alegre
que traga o riso
certeza breve
de não deixar passar Agosto
de mãos vazias
na fome do amor ausente
no canto da flor da fonte
Procuro um pequeno verso objetivo
atraente
interessante
Que não deixe passar Agosto
por faltar algo
que seja amplo
que seja amigo
Procuro um pequeno verso que me apresente
Que não deixe passar Agosto
de repente,
assim pura e simplesmente...
[Adhemar - São Paulo, 30/05/2019]
sábado, 18 de maio de 2019
"MALACABADA"
Ela chegou mais triste,
mais magra do que eu me lembrava;
cheia de história e filhos.
Ela chegou mais gestos dos que eu amava.
Ela chegou de leve,
solícita e delicada;
a bordo de uma cor "nunca-foi-neve",
macia e adocicada.
Apresentou um riso
tipo nostalgia breve.
Ela chegou serena,
altiva e organizada.
A voz sumida e límpida.
Chegou trazendo pequena
uns versos esquecidos,
suavemente "deslembrada".
Ela chegou, fingiu, jogou,
perdeu e se retirou;
ainda triste, mas, confortada.
[Adhemar - São Paulo, 04/05/2012]
mais magra do que eu me lembrava;
cheia de história e filhos.
Ela chegou mais gestos dos que eu amava.
Ela chegou de leve,
solícita e delicada;
a bordo de uma cor "nunca-foi-neve",
macia e adocicada.
Apresentou um riso
tipo nostalgia breve.
Ela chegou serena,
altiva e organizada.
A voz sumida e límpida.
Chegou trazendo pequena
uns versos esquecidos,
suavemente "deslembrada".
Ela chegou, fingiu, jogou,
perdeu e se retirou;
ainda triste, mas, confortada.
[Adhemar - São Paulo, 04/05/2012]
quarta-feira, 15 de maio de 2019
GEOMETRIA
Das linhas, dos espaços
esboços fracos
reforço em traços
pintura em áreas típicas
das curvas, dos regatos
o som dos desenhos
sugeridos, emanados
Gestos espontâneos
desenho orgânico
traço harmônico
Concentração desvanecida
imerso o pensamento
em outra vida...
Mãos firmes ou trêmulas
meio, mensagem, fato.
O desenho acabado
feito um retrato
feito um poema
uma rima sem contrato
O papel em sua essência
a matemática ciência
o extrato
Extrato como significado
o estado final
o resultado
como se tudo fosse normal
três dimensões ou desenhado
A boca alinhada
vai fechada em ricto;
linha fina torcida
ou ondulada
feito um gráfico
em ondas vai representada
Olhos em foco
pontos de fuga da perspectiva
desenhando forma ativa
traços firmes
gestos dirigidos
Toda forma aleatória
mas pré-concebida
raio de circunferência
Círculos concêntricos
pedra no lago
cara do palhaço
traço sério
riscos assumidos
A volta do trapézio
quadrado entortado
das linhas, dos espaços
perdidos traços
desperdiçados na figura do abstrato
absorvidos no centro do prato...
Fim da fome
no desenho do outro lado...[Adhemar - São Paulo, 14/05/2018]
segunda-feira, 6 de maio de 2019
SOSSEGA, CORAÇÃO!
Sossega, coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.
Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperança a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!
Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solene pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.
Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperança a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!
Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solene pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.
[Fonte:
www.pensador.com]
sábado, 4 de maio de 2019
PROFECIAS
Horas
tantas,
uma voz misteriosa se levanta.
Cava, profunda, concentrada.
Altissonante, impressionante, enfeitiçada.
Escura, turva, convincente.
Falando coisas do futuro,
do que acontecerá no "mais pra
frente".
Pisando duro.
Nauseando a tontura.
Sussurrando... assustadoramente...
Horas tantas,
a voz misteriosa e acachapante
não diz nada otimista, interessante.
Ecoando na escuridão absoluta
apenas intimida e condena.
Grita solitária sua certeza absoluta,
maltratando a inteligência
sem nenhuma pena.
Horas tantas...
Que não passam, não acabam.
Uma danação eterna, essa voz,
improdutiva, autoritária e algoz.
Uma voz impositiva,
de tonalidade arbitrária
que comanda a todos e é veloz...
Horas tantas,
sacrificadas prisioneiras dessa voz,
cruel e carcereira,
que adensa, imprensa e incendeia
o ânimo e o espírito,
dor atroz.
Essa voz,
que anuncia e pressagia o destino,
o final e a fantasia
do que somos...
e seremos...
todos nós.
[Adhemar - São Paulo, 07/10/2018]
terça-feira, 30 de abril de 2019
"SURTO-CIRCUITO"
Raios cintilantes.
Aquela "rachadura" azul no céu,
que brilha.
No céu ou no mel?
Abelhuda indagação.
Cabelos abobalhados,
pensamentos-raiz.
Centelhas rutilantes,
filhas da fusão.
Amor, diamantes, confusão.
Têmporas suadas.
Rubor nas mãos.
Pedras estranhas e abençoadas,
alimento, limão.
Ah! Palavras temperadas,
maré de vaguidão...
Barco à vela ao vento.
O leme é o coração.
No espaço,
outros planetas.
Órbitas, cometas,
estrelas decadentes...
A boca morta
mostra os dentes.
A miséria
mostra os doentes.
O fogo devora a mente,
as cinzas pedem perdão.
O Sol é um depoente,
a metáfora não.
Chuva sêca.
Falta luz na escuridão.
[Adhemar - São Paulo, 03/09/2018]
Aquela "rachadura" azul no céu,
que brilha.
No céu ou no mel?
Abelhuda indagação.
Cabelos abobalhados,
pensamentos-raiz.
Centelhas rutilantes,
filhas da fusão.
Amor, diamantes, confusão.
Têmporas suadas.
Rubor nas mãos.
Pedras estranhas e abençoadas,
alimento, limão.
Ah! Palavras temperadas,
maré de vaguidão...
Barco à vela ao vento.
O leme é o coração.
No espaço,
outros planetas.
Órbitas, cometas,
estrelas decadentes...
A boca morta
mostra os dentes.
A miséria
mostra os doentes.
O fogo devora a mente,
as cinzas pedem perdão.
O Sol é um depoente,
a metáfora não.
Chuva sêca.
Falta luz na escuridão.
[Adhemar - São Paulo, 03/09/2018]
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