Inventei uma visão
ondulada e nebulosa.
Vi numa tela emoldurada.
Tela de fundo branco,
um quadro em branco.
É uma fantástica visão
inventada.
Premonitória.
Descabelada.
Mais fotografia do que
pintura.
Sombreada.
Sombria.
Inventei uma visão
um pouco fria,
resultante da discussão
acalorada.
Guardei recurso para
modificá-la,
torná-la crível,
verdadeira,
apesar de malcriada.
Séria.
Versão
"amentirada";
ficção real
e coisa e tal.
Inventei uma visão
independente e despudorada;
oferecida e recatada,
bela e enfurecida.
Inventei uma visão
precária e pretensiosa.
Tagarela e amordaçada.
Uma visão silenciosa,
inteligente e revoltada.
Solitária.
Mentirosa.
Misteriosa.
Bem fundamentada...
Inventei uma visão
incapaz de se impor;
incapaz de materializar-se,
sair pra fora
insistente e dominadora.
Realidade virtual
aqui e agora.
Inventei uma visão
tremendamente poderosa,
aterradora e maravilhosa,
que me possuiu
e foi embora.
[Adhemar - São Paulo,
26/05/2018]