Elo quebrado
Não parecia tão frágil
Transformado
Incompreendido
Inconsertável
Drama, flagelo
O amor inconformado
Com a dor
Com a perda
Com o passado
Construções acabadas
O jardim desconfortável
Um pra sempre tão curto
Tão incerto
Insustentável
Um pode ser que não foi;
Só o respeito sobra inatacável
Defunto insepulto
Este "nunca mais"
É o "fragelo" do adeus inevitável...
[Adhemar - 07/02/2018]
Impressões pessoais e a sutileza que entremeia diferentes expressões destas artes: a arquitetura da poesia e a poesia da arquitetura! Vida. (Imagem: Perspectiva do Labirinto - Foto: Adh2bs)
domingo, 21 de julho de 2019
domingo, 14 de julho de 2019
"SIMBOLIMBO"
O pensamento que deu muitas voltas
é um pensamento revoltado;
é um pensamento de volta,
um pensamento devoto.
Um passamento.
Um devotado "assamento".
Jogado assim nesse jogo,
o jogo do jugo, momento,
a dó do jumento.
Assim já um aumento;
cão inteligente: um au-mento.
Pedras no gato do muro,
perdas no gasto do murro,
marras ao gosto do burro;
do engaste no morro soturno.
Sortudo, feliz desenlace,
e o mundo no meio de tudo.
[Adhemar - São Paulo, 21/10/2010]
Marcadores:
Brincadeira,
Poesia
sábado, 13 de julho de 2019
CONTrA
Os ponteiRos estão coRRendo agoRa.
DeixaRam de andaR.
Os eRRes estão difeRentes,
um teste.
E não apareceu nem algum agá.
Pelo menos por enquanto.
Pelo menos por encanto.
Os ponteiros estão morrendo, agora.
Deixaram de andar.
E de correr.
A mudança dos eRRes...
JÁ AcontecerA com os "A"...
Os Há...
Finalmente um agá!
Quase Que peLos canTos,
com as LeTras mudando,
enTerrando os ponTeiros Lá.
A mão vai parando,
se LevanTa acenando,
deixando o Tempo parar...
[AdHemAr - São Paulo, 15/07/2012]
DeixaRam de andaR.
Os eRRes estão difeRentes,
um teste.
E não apareceu nem algum agá.
Pelo menos por enquanto.
Pelo menos por encanto.
Os ponteiros estão morrendo, agora.
Deixaram de andar.
E de correr.
A mudança dos eRRes...
JÁ AcontecerA com os "A"...
Os Há...
Finalmente um agá!
Quase Que peLos canTos,
com as LeTras mudando,
enTerrando os ponTeiros Lá.
A mão vai parando,
se LevanTa acenando,
deixando o Tempo parar...
[AdHemAr - São Paulo, 15/07/2012]
Marcadores:
Brincadeira,
Poesia
quarta-feira, 10 de julho de 2019
O CÂNTICO DA TERRA (Cora Coralina)
Eu sou a
terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.
Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranqüila ao teu esforço.
Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranqüila ao teu esforço.
Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.
Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação,
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação,
eu sou o
amor.
A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.
E um dia,
bem
distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranqüilo dormirás.
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranqüilo dormirás.
Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e
da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.
Ana Lins
do Guimarães Peixoto Brêtas
Fonte: http://www.poesiaspoemaseversos.com.br/cora-coralina-poemas/
quinta-feira, 4 de julho de 2019
"USUALIDADE"
Inventei uma visão
ondulada e nebulosa.
Vi numa tela emoldurada.
Tela de fundo branco,
um quadro em branco.
É uma fantástica visão
inventada.
Premonitória.
Descabelada.
Mais fotografia do que
pintura.
Sombreada.
Sombria.
Inventei uma visão
um pouco fria,
resultante da discussão
acalorada.
Guardei recurso para
modificá-la,
torná-la crível,
verdadeira,
apesar de malcriada.
Séria.
Versão
"amentirada";
ficção real
e coisa e tal.
Inventei uma visão
independente e despudorada;
oferecida e recatada,
bela e enfurecida.
Inventei uma visão
precária e pretensiosa.
Tagarela e amordaçada.
Uma visão silenciosa,
inteligente e revoltada.
Solitária.
Mentirosa.
Misteriosa.
Bem fundamentada...
Inventei uma visão
incapaz de se impor;
incapaz de materializar-se,
sair pra fora
insistente e dominadora.
Realidade virtual
aqui e agora.
Inventei uma visão
tremendamente poderosa,
aterradora e maravilhosa,
que me possuiu
e foi embora.
[Adhemar - São Paulo,
26/05/2018]
quarta-feira, 26 de junho de 2019
LADEIRAS
Memórias perdidas
nas rampas que vão abaixo.
Lembranças caídas,
escorridas,
resgates profundos.
Um vale inundado
onde lágrimas se confundem
com risos,
com espaços.
E há os desatados laços,
uma eterna nostalgia que não cessa.
Um ingresso,
vertente,
um pedaço;
a saudade indistinta
do descanso e do cansaço.
Registros difusos
rolando abaixo;
íngremes abismos
desse repertório antigo,
representado e embalado na roupagem
de um ideal sem abrigo:
despojado e despejado!
[Adhemar - São Paulo, 30/01/2010]
nas rampas que vão abaixo.
Lembranças caídas,
escorridas,
resgates profundos.
Um vale inundado
onde lágrimas se confundem
com risos,
com espaços.
E há os desatados laços,
uma eterna nostalgia que não cessa.
Um ingresso,
vertente,
um pedaço;
a saudade indistinta
do descanso e do cansaço.
Registros difusos
rolando abaixo;
íngremes abismos
desse repertório antigo,
representado e embalado na roupagem
de um ideal sem abrigo:
despojado e despejado!
[Adhemar - São Paulo, 30/01/2010]
quinta-feira, 20 de junho de 2019
ÁTIMO
Curto instante.
Longo tempo.
Horas mais compridas
descomprimidas em seus limitados minutos.
A claridade ofuscante
brilhando em segundos.
Esse curto instante de um largo tempo...
Que não solta as horas dos ponteiros.
Que não dá voltas completas,
mas dá saltos...
A distância no tempo e no espaço.
Um céu negro,
onde estão as estrelas do universo;
que é tão amplo
que se mede em anos e em luz...
Curto instante.
Longo tempo...
Dos astros errantes,
cadentes,
como os desejos mais distantes
no tempo e no espaço.
Imenso universo
onde só cabe um abraço;
que dá voltas completas,
cola os lábios,
que enfeitiça apaixonados e poetas.
O suor à razão de uma gota por poro por
segundo
na vazão do empenho
da carícia e do arrepio.
No balanço do pêndulo,
no prazer de fazer e refazer
o embalo concentrado até o êxtase:
uma espécie de morrer
que fica por um fio...
[Adhemar – São Paulo,
09/06/2019]
segunda-feira, 17 de junho de 2019
CHAVES
Distância fechada
distância preenchida
ausência vazia
sonho desertado
que uma nuvem anuncia
Sonho impossível
sonho encarcerado
amor improvável...
Paixão descontrolada
que o tempo denuncia
Amor despertado
amor desesperado
regate inesquecível
veemente, apaixonado
à tempestade prenuncia
Finalmente condenado
confinado na cadeia
por amor fica calado
deixa marejar os olhos
simplesmente renuncia...
[P/ I.N.]
[Adhemar - São Paulo, 23/10/2010]
distância preenchida
ausência vazia
sonho desertado
que uma nuvem anuncia
Sonho impossível
sonho encarcerado
amor improvável...
Paixão descontrolada
que o tempo denuncia
Amor despertado
amor desesperado
regate inesquecível
veemente, apaixonado
à tempestade prenuncia
Finalmente condenado
confinado na cadeia
por amor fica calado
deixa marejar os olhos
simplesmente renuncia...
[P/ I.N.]
[Adhemar - São Paulo, 23/10/2010]
quarta-feira, 12 de junho de 2019
DISTANTE
Cativo da própria inquietude.
Centro de convergência definitiva
de sentimentos definidos.
Cativo da tua ausência
sempre presente no íntimo
de íntimas dúvidas.
Ou por acaso, ou por destino,
cativo da tua existência.
Tantas coisas por falar,
tantos frutos por colher...
Mas...
Tantos limites cativam...
A solidão e a chuva
juntam-se ao pensamento.
Na travessia noturna
há o procurar-te junto.
Disfunções reais de um ser tão livre
sendo tão prisioneiro e fiel...
Buscando em cada estrela
a última palavra da tua boca.
Não ter mais nada a escrever;
só a falar...
Querendo saber
as profundas razões de existir
e querer continuar.
Sentimentos ou desrespeito?
Abertas as portas da incerteza,
qual prisão sem guardas e sem muros.
Um parque pra percorrer,
te encontrar e dizer:
AMOR.
[P/ BSF]
[Adhemar - São Paulo, 13-14/06/1988]
Centro de convergência definitiva
de sentimentos definidos.
Cativo da tua ausência
sempre presente no íntimo
de íntimas dúvidas.
Ou por acaso, ou por destino,
cativo da tua existência.
Tantas coisas por falar,
tantos frutos por colher...
Mas...
Tantos limites cativam...
A solidão e a chuva
juntam-se ao pensamento.
Na travessia noturna
há o procurar-te junto.
Disfunções reais de um ser tão livre
sendo tão prisioneiro e fiel...
Buscando em cada estrela
a última palavra da tua boca.
Não ter mais nada a escrever;
só a falar...
Querendo saber
as profundas razões de existir
e querer continuar.
Sentimentos ou desrespeito?
Abertas as portas da incerteza,
qual prisão sem guardas e sem muros.
Um parque pra percorrer,
te encontrar e dizer:
AMOR.
[P/ BSF]
[Adhemar - São Paulo, 13-14/06/1988]
sábado, 8 de junho de 2019
MOTIVO
Eu canto
porque o instante existe
E a minha vida
está completa
Não sou alegre
nem sou triste,
sou poeta
Irmão das
coisas fugidias
Não sinto gozo
nem tormento
Atravesso
noites e dias
no vento
Se desmorono
ou se edifico
Se permaneço
ou me desfaço
Não sei, não
sei. Não sei se fico
ou passo
Eu sei que canto;
e a canção é tudo
Tem sangue
eterno a asa ritmada
E um dia eu
sei que estarei mudo:
mais nada
Cecília
Meireles
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