Num súbito calor, acordar.
Pele e sensações se estranhando,
ardores misturados com emoções.
Lágrimas contidas.
Saudade derrubada da cama,
jaz ali, estirada no chão.
O coração aos pulos,
em batidas apressadas,
enquanto as mãos seguram o suor.
Súbita febre, semiconsciência.
Um formigamento pelo corpo,
interestelar...!
Poeira cósmica ralada,
de tantos sentimentos sem conflitos,
sem contradições:
apenas sentimentos.
Fotos sem foco,
que num súbito calor te fazem acordar.
O corpo todo efervescendo,
ressuscitando dos sonhos,
do torpor de amar...
Como se a cama, uma piscina,
servisse apenas para esse... mergulhar...
Insano mas autêntico
ao ponto de nos desorientar;
porque ao sentir essa febre,
esse calor,
não saber se a gente ainda está dormindo
ou se acorda pra sonhar...
[Adhemar - São Paulo, 13/08/2019]
Impressões pessoais e a sutileza que entremeia diferentes expressões destas artes: a arquitetura da poesia e a poesia da arquitetura! Vida. (Imagem: Perspectiva do Labirinto - Foto: Adh2bs)
quinta-feira, 15 de agosto de 2019
quinta-feira, 1 de agosto de 2019
ELO... QUENTE!
Tomar uma coca-cólica
ou um gim túnica
é uma viagem única
é uma triagem cínica
Vestir um brim cadeira
é um quedar cansado
estar um nu apelado
é uma voltagem tônica
Aguardar numa fila harmônica
só tomando um chá pardo
onde quem diz "crime e nado"
é um homem nauseado
Por fim pegamos quem mede-se
protegendo mal às artes
pra comprar terra à crédito
pra revender terra à vista
Pra vigiar sua avezinha
mantendo-se com postura
no rasgo que se costura
e procurar: cadê linha?
O bafo de quem tomou vinho
na ressaca puxada
vendo que a tartaruga começa
onde o jabuti 'caba...
[Adhemar - São Paulo, 05/08/2014]
Ex... pelos
Associação aleatória de cacófatos.
Adh, 01/08/2019
domingo, 28 de julho de 2019
MARIONETES
[Imagem: do blog "ENTRADA FRANCA - Reflexões Sociais e Políticas" (Paula Rosa)]
Fios tensos conduzem
mas prendem
O que importa saber
é quem os comanda
O que importa entender
é se permitimos ou não... nos levar
Fios invisíveis
que sabemos coloridos
contradição... transparente
Fantoches, fantasmas
O que importa saber
é se somos conscientes
inconsistentes
ou persistentes
Fios tensos...
mas limitam
O que importa saber
é se permitimos estender
ou pendurar
panos neles
ou contas
ou desafios
ou descontos
Fios tortos
intensos
O que importa saber
é se eles conseguem reter
as gotas do orvalho
para dividirem a luz
O que importa saber
é se eles te mostram os atalhos
ou se vão te largar de repente
te amarrar e te prender
[Adhemar - São Paulo, 25/01/2019]
domingo, 21 de julho de 2019
"FRAGELO"
Elo quebrado
Não parecia tão frágil
Transformado
Incompreendido
Inconsertável
Drama, flagelo
O amor inconformado
Com a dor
Com a perda
Com o passado
Construções acabadas
O jardim desconfortável
Um pra sempre tão curto
Tão incerto
Insustentável
Um pode ser que não foi;
Só o respeito sobra inatacável
Defunto insepulto
Este "nunca mais"
É o "fragelo" do adeus inevitável...
[Adhemar - 07/02/2018]
Não parecia tão frágil
Transformado
Incompreendido
Inconsertável
Drama, flagelo
O amor inconformado
Com a dor
Com a perda
Com o passado
Construções acabadas
O jardim desconfortável
Um pra sempre tão curto
Tão incerto
Insustentável
Um pode ser que não foi;
Só o respeito sobra inatacável
Defunto insepulto
Este "nunca mais"
É o "fragelo" do adeus inevitável...
[Adhemar - 07/02/2018]
domingo, 14 de julho de 2019
"SIMBOLIMBO"
O pensamento que deu muitas voltas
é um pensamento revoltado;
é um pensamento de volta,
um pensamento devoto.
Um passamento.
Um devotado "assamento".
Jogado assim nesse jogo,
o jogo do jugo, momento,
a dó do jumento.
Assim já um aumento;
cão inteligente: um au-mento.
Pedras no gato do muro,
perdas no gasto do murro,
marras ao gosto do burro;
do engaste no morro soturno.
Sortudo, feliz desenlace,
e o mundo no meio de tudo.
[Adhemar - São Paulo, 21/10/2010]
Marcadores:
Brincadeira,
Poesia
sábado, 13 de julho de 2019
CONTrA
Os ponteiRos estão coRRendo agoRa.
DeixaRam de andaR.
Os eRRes estão difeRentes,
um teste.
E não apareceu nem algum agá.
Pelo menos por enquanto.
Pelo menos por encanto.
Os ponteiros estão morrendo, agora.
Deixaram de andar.
E de correr.
A mudança dos eRRes...
JÁ AcontecerA com os "A"...
Os Há...
Finalmente um agá!
Quase Que peLos canTos,
com as LeTras mudando,
enTerrando os ponTeiros Lá.
A mão vai parando,
se LevanTa acenando,
deixando o Tempo parar...
[AdHemAr - São Paulo, 15/07/2012]
DeixaRam de andaR.
Os eRRes estão difeRentes,
um teste.
E não apareceu nem algum agá.
Pelo menos por enquanto.
Pelo menos por encanto.
Os ponteiros estão morrendo, agora.
Deixaram de andar.
E de correr.
A mudança dos eRRes...
JÁ AcontecerA com os "A"...
Os Há...
Finalmente um agá!
Quase Que peLos canTos,
com as LeTras mudando,
enTerrando os ponTeiros Lá.
A mão vai parando,
se LevanTa acenando,
deixando o Tempo parar...
[AdHemAr - São Paulo, 15/07/2012]
Marcadores:
Brincadeira,
Poesia
quarta-feira, 10 de julho de 2019
O CÂNTICO DA TERRA (Cora Coralina)
Eu sou a
terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.
Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranqüila ao teu esforço.
Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranqüila ao teu esforço.
Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.
Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação,
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação,
eu sou o
amor.
A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.
E um dia,
bem
distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranqüilo dormirás.
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranqüilo dormirás.
Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e
da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.
Ana Lins
do Guimarães Peixoto Brêtas
Fonte: http://www.poesiaspoemaseversos.com.br/cora-coralina-poemas/
quinta-feira, 4 de julho de 2019
"USUALIDADE"
Inventei uma visão
ondulada e nebulosa.
Vi numa tela emoldurada.
Tela de fundo branco,
um quadro em branco.
É uma fantástica visão
inventada.
Premonitória.
Descabelada.
Mais fotografia do que
pintura.
Sombreada.
Sombria.
Inventei uma visão
um pouco fria,
resultante da discussão
acalorada.
Guardei recurso para
modificá-la,
torná-la crível,
verdadeira,
apesar de malcriada.
Séria.
Versão
"amentirada";
ficção real
e coisa e tal.
Inventei uma visão
independente e despudorada;
oferecida e recatada,
bela e enfurecida.
Inventei uma visão
precária e pretensiosa.
Tagarela e amordaçada.
Uma visão silenciosa,
inteligente e revoltada.
Solitária.
Mentirosa.
Misteriosa.
Bem fundamentada...
Inventei uma visão
incapaz de se impor;
incapaz de materializar-se,
sair pra fora
insistente e dominadora.
Realidade virtual
aqui e agora.
Inventei uma visão
tremendamente poderosa,
aterradora e maravilhosa,
que me possuiu
e foi embora.
[Adhemar - São Paulo,
26/05/2018]
quarta-feira, 26 de junho de 2019
LADEIRAS
Memórias perdidas
nas rampas que vão abaixo.
Lembranças caídas,
escorridas,
resgates profundos.
Um vale inundado
onde lágrimas se confundem
com risos,
com espaços.
E há os desatados laços,
uma eterna nostalgia que não cessa.
Um ingresso,
vertente,
um pedaço;
a saudade indistinta
do descanso e do cansaço.
Registros difusos
rolando abaixo;
íngremes abismos
desse repertório antigo,
representado e embalado na roupagem
de um ideal sem abrigo:
despojado e despejado!
[Adhemar - São Paulo, 30/01/2010]
nas rampas que vão abaixo.
Lembranças caídas,
escorridas,
resgates profundos.
Um vale inundado
onde lágrimas se confundem
com risos,
com espaços.
E há os desatados laços,
uma eterna nostalgia que não cessa.
Um ingresso,
vertente,
um pedaço;
a saudade indistinta
do descanso e do cansaço.
Registros difusos
rolando abaixo;
íngremes abismos
desse repertório antigo,
representado e embalado na roupagem
de um ideal sem abrigo:
despojado e despejado!
[Adhemar - São Paulo, 30/01/2010]
quinta-feira, 20 de junho de 2019
ÁTIMO
Curto instante.
Longo tempo.
Horas mais compridas
descomprimidas em seus limitados minutos.
A claridade ofuscante
brilhando em segundos.
Esse curto instante de um largo tempo...
Que não solta as horas dos ponteiros.
Que não dá voltas completas,
mas dá saltos...
A distância no tempo e no espaço.
Um céu negro,
onde estão as estrelas do universo;
que é tão amplo
que se mede em anos e em luz...
Curto instante.
Longo tempo...
Dos astros errantes,
cadentes,
como os desejos mais distantes
no tempo e no espaço.
Imenso universo
onde só cabe um abraço;
que dá voltas completas,
cola os lábios,
que enfeitiça apaixonados e poetas.
O suor à razão de uma gota por poro por
segundo
na vazão do empenho
da carícia e do arrepio.
No balanço do pêndulo,
no prazer de fazer e refazer
o embalo concentrado até o êxtase:
uma espécie de morrer
que fica por um fio...
[Adhemar – São Paulo,
09/06/2019]
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