São seis horas da manhã chuvosa
Espaço cinza
massa cinzenta sob cabelos brancos
Falta um vento
Falta um oxigênio
Falta um ponto no horizonte
indivisível, pleno
São, serão...
Talvez umas seis e cinco
O ruído que vem de fora é ameno
Existe uma certa surdez
aos ruídos que vem de dentro
Vem com a fome,
indiferente ao tempo
Ao tempo!
Seis e nove,
os ponteiros em contínuo movimento
Os minutos pós seis horas?
Aleatórios.
Inventados.
Velhacos.
São seis e treze da manhã chuvosa
que é como se chorando
Lágrima cristalina sobre a face lisa
Falta uma barba mal feita
Falta um soluço, uma rima
Falta um olhar altivo,
incrível, sereno...
São seis e quinze da manhã chuvosa,
cinzenta e sem vento
onde o relógio desacelera
Onde falta uma letra em cima da cama;
onde falta uma razão
para ficar mais tempo em cima dela.
[Adhemar - São Paulo, 16/11/2019]
Impressões pessoais e a sutileza que entremeia diferentes expressões destas artes: a arquitetura da poesia e a poesia da arquitetura! Vida. (Imagem: Perspectiva do Labirinto - Foto: Adh2bs)
domingo, 17 de novembro de 2019
sábado, 16 de novembro de 2019
"PALIVRES"
Metáforas insuficientes.
Sutis demais.
Palavras rebuscadas,
pouco eficientes.
Anárquicas.
Incitantes.
Instigantes.
Revolucionárias.
Incoerentes.
Manifestam-se de pijama.
Acomodadas.
Contraditórias.
Convencidas.
Convictas...
Hesitantes?!
Metáforas artísticas.
Pernósticas.
Arrogantes.
Infelizes.Opressivas.
Impactantes.
Apresentadas em lindos pacotes.
Malcheirosas.
Indecentes.
Chegam como se fossem presentes.
Produzem efeitos inesperados.
Desesperados.
Eufóricos.
Mas, são apenas palavras.
Doentes.
Saudáveis.
Saudosas...
[Adhemar - São Paulo, 15/11/2019]
segunda-feira, 4 de novembro de 2019
DÍVIDA
O crediário é um futuro comprometido.
O compromisso te obriga a continuar vivendo.
A vida te leva pelo desconhecido.
O desconhecido te faz ir aprendendo.
O aprendizado te mostra a vida e te abre os olhos.
O olhar te ensina o bonito e o feio.
A feiura te ensina respeito.
O respeito vai tirar você do devaneio.
O devaneio pode ser o sonho possível.
O possível te leva a querer mais.
Querer mais te bota num dilema:
"desisto ou me endivido?"
A dívida é um crediário.
O crediário é um futuro comprometido.
A promessa te consome, te devora.
Devorado, você se desespera e apavora.
Apavorado, paralisa os sentidos.
O sentimento te machuca e atordoa.
Atordoado, você se compromete.
Comprometido, se confunde e não pensa.
Não pensando você conclui sozinho que,
sozinho, só é mais um cretino.
[Adhemar - São Paulo, 16/07/2019]
O compromisso te obriga a continuar vivendo.
A vida te leva pelo desconhecido.
O desconhecido te faz ir aprendendo.
O aprendizado te mostra a vida e te abre os olhos.
O olhar te ensina o bonito e o feio.
A feiura te ensina respeito.
O respeito vai tirar você do devaneio.
O devaneio pode ser o sonho possível.
O possível te leva a querer mais.
Querer mais te bota num dilema:
"desisto ou me endivido?"
A dívida é um crediário.
O crediário é um futuro comprometido.
A promessa te consome, te devora.
Devorado, você se desespera e apavora.
Apavorado, paralisa os sentidos.
O sentimento te machuca e atordoa.
Atordoado, você se compromete.
Comprometido, se confunde e não pensa.
Não pensando você conclui sozinho que,
sozinho, só é mais um cretino.
[Adhemar - São Paulo, 16/07/2019]
quarta-feira, 30 de outubro de 2019
COTIDIANO
Ontem foi um dia estranho,
como todos os dias tem sido estranhos.
Estranhos dentro de cada um
pois o lado de fora
é igual ao lado de fora de ontem.
Hoje está tão estranho como ontem
e como amanhã será.
Obrigado por acender a luz.
Outra coisa estranha
pois que hoje está chovendo.
Ontem também choveu
e isso é até normal.
Embora tudo o que seja normal,
atualmente,
seja um pouco estranho.
Estranho e suspeito.
Desde muito tempo que tudo está assim,
estranhamente monótono e cansativo.
Como andar em círculos
e respirar o vapor da chuva fria.
Estranho é estar sozinho,
estranho é estar sozinho,
estranho é estar sozinho.
Em dias assim, tão iguais,
dentro e fora da gente.
[P/ BSF]
[Adhemar - São Paulo, 17/03/1988]
como todos os dias tem sido estranhos.
Estranhos dentro de cada um
pois o lado de fora
é igual ao lado de fora de ontem.
Hoje está tão estranho como ontem
e como amanhã será.
Obrigado por acender a luz.
Outra coisa estranha
pois que hoje está chovendo.
Ontem também choveu
e isso é até normal.
Embora tudo o que seja normal,
atualmente,
seja um pouco estranho.
Estranho e suspeito.
Desde muito tempo que tudo está assim,
estranhamente monótono e cansativo.
Como andar em círculos
e respirar o vapor da chuva fria.
Estranho é estar sozinho,
estranho é estar sozinho,
estranho é estar sozinho.
Em dias assim, tão iguais,
dentro e fora da gente.
[P/ BSF]
[Adhemar - São Paulo, 17/03/1988]
terça-feira, 8 de outubro de 2019
VOUCHER
Eu que pensei...
ousei pensar!
Que aprendera a interpretar
o silêncio.
Que saberia, das palavras a
ausência
o que elas desejariam
significar...
Julguei poder oferecer
esse pouco que sou, como
sou,
para quem quisesse conhecer
- e apreciar -
com uma certa riqueza de
razão.
Ousei pensar,
não sem uma certa emoção,
que haveria de encontrar
uma outra alma aventureira
que se se atreveria a se
atirar
sem rede nem proteção
nesse imenso abismo
confortável
de mãos dadas e sorrisos...
Ousei pensar
que cavaria por abrigos
a quatro mãos...
Que haveria de dormir - e
levantar -
no calor da companhia
dessa aventureira
alvissareira,
maravilhosa e faceira.
Que compartilharia alguns
momentos
- ainda que de poucos tempos
-
nessa empresa com um sócio
dedicado...
Ousei pensar
que não seria mais uma
ilusão...
[Adhemar - São Paulo,
16/07/2019]
domingo, 6 de outubro de 2019
GARRAFA
Imerso no silêncio
contemplo o mar imenso.
Quantas mensagens
engarrafadas,
afogadas,
perdidas, errantes,
nunca interpretadas...
Cinza azul
amarelado do poente.
Melancólica
nostalgia
por essas
mensagens,
engarrafadas,
que se
perderam,
jamais lidas...
Imerso na
saudade
dessas
mensagens nunca encontradas
penso... Penso
nas poesias...
Quantas poesias
escritas
perdidas,
errantes,
jamais lidas...
Quantas
palavras perdidas
em pedidos de
socorro e declarações de amor,
em lamentos
inúteis e celebrações exaltadas,
engarrafadas,
imersas nesse
mar imenso
de saudade e de
silêncio...
[Adhemar - São Paulo, 27/09/2018]
sábado, 21 de setembro de 2019
SOUVENIR
De tanto ficar deitado
o corpo todo doeu
De tanto desencontrar
o que se devia falar se escreveu
Mal entendido
quanto mais explicado
mais confundido
mais complicado
Esperar uma palavra qualquer
ou no correio - que viesse escrita -
ou no telefone - para ser ouvida -
era bom ter
Até na janela, se chegasse bonita
entrando aqui
pra gente se entender
Agora, nada disso é possível
Só em sonho, poesia ou histórias
Mas enfim, pode crer, foi incrível
te gostar, te perder, te segurar na memória...
[P/ BSF]
[Adhemar - São Paulo, 19/09/1987]
sexta-feira, 13 de setembro de 2019
DECEPÇÃO À ESPREITA
Noite pior que escura:
mal iluminada.
Te vejo em várias esquinas;
mas...
Sempre acompanhada.
Acompanhada
muito mais do que só por suas pernas esguias,
bem torneadas...
Acompanhada, sempre,
por uma sombra mal
delineada.
Uma sombra,
de rua mal iluminada.
Uma espécie de aura
- maldita ou abençoada
-
que te protege e te
acompanha,
me evita e te salva.
Noite pior que escura:
cheia de solidão...
e de Nada.
[Adhemar - São Paulo,
28/02/2017]
quarta-feira, 4 de setembro de 2019
CRACHÁ
Identidade, DNA.
Desenho no espaço.
Brilho de estrela.
Papel, cartão, carteira.
Persona, VIP.
Número na lista.
Ideário.
Filosofia.
Mal traçadas linhas.
Querido diário...
Ideologia.
Metáforas.
Analogia.
O time.
A profissão e todas as preferências.
Caráter.
A roupa.
Cabelo e sorriso.
A letra, a caligrafia.
O jeito de andar.
O grau dos óculos.
O grau da miopia...
O que come.
O que fala.
O jardim.
A pausa entre um olhar e outro.
O gesto.
Aceno e abraço.
Pensamento secreto.
Vida paralela (no imaginário).
Ser e estar.
Passaporte.
Lugar, lugares.
E a foto.
[Adhemar - São paulo, 25/11/2011]
Desenho no espaço.
Brilho de estrela.
Papel, cartão, carteira.
Persona, VIP.
Número na lista.
Ideário.
Filosofia.
Mal traçadas linhas.
Querido diário...
Ideologia.
Metáforas.
Analogia.
O time.
A profissão e todas as preferências.
Caráter.
A roupa.
Cabelo e sorriso.
A letra, a caligrafia.
O jeito de andar.
O grau dos óculos.
O grau da miopia...
O que come.
O que fala.
O jardim.
A pausa entre um olhar e outro.
O gesto.
Aceno e abraço.
Pensamento secreto.
Vida paralela (no imaginário).
Ser e estar.
Passaporte.
Lugar, lugares.
E a foto.
[Adhemar - São paulo, 25/11/2011]
sábado, 31 de agosto de 2019
SOBREVIVÊNCIA E CAOS
Qual o caos que te comove?
Em quais cais ancorarás?!
Se a canção caução envolve
em qual calçada andarás?
Vamos louvar esse love
que onde more morrerá
completo e pleno de glória;
em que estado estará
quando vier a vitória?
Em seu humor louvará
dizendo "isto é história"
estando e enfrentando
luta disputa será.
Truque na troca da escória
em forno forte restará
base da bossa e da chama
pavio em cera será.
Não viu navio ancorado
coragem viva vencerá.
Por toda a noite anotando
o vencido convencimento,
dando um alô ao alento
num doce descendo.
Se por acaso acabar
o amor aumentando
o volume velará
vela ao vento voltando
da viagem que fará.
Segue a Deus o adeus
que se despirá despistando
os cacos dodecafônicos
dos cacófatos se espalhando...
[Adhemar - São Paulo,15 a 31/08/2019]
Em quais cais ancorarás?!
Se a canção caução envolve
em qual calçada andarás?
Vamos louvar esse love
que onde more morrerá
completo e pleno de glória;
em que estado estará
quando vier a vitória?
Em seu humor louvará
dizendo "isto é história"
estando e enfrentando
luta disputa será.
Truque na troca da escória
em forno forte restará
base da bossa e da chama
pavio em cera será.
Não viu navio ancorado
coragem viva vencerá.
Por toda a noite anotando
o vencido convencimento,
dando um alô ao alento
num doce descendo.
Se por acaso acabar
o amor aumentando
o volume velará
vela ao vento voltando
da viagem que fará.
Segue a Deus o adeus
que se despirá despistando
os cacos dodecafônicos
dos cacófatos se espalhando...
[Adhemar - São Paulo,15 a 31/08/2019]
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