Então, foi assim.
Morri um pouco.
Mundo caído,
Sonhos desfeitos,
Projetos interrompidos.
Paixão extinta.
"Semidespertei"
Abri um olho,
Tomei decisões.
Vacilantes.
Hesitantes.
Naquele momento,
Ainda presas a um passado querido...
Iniciei uma busca.
Várias experiências:
Algumas vexatórias,
Outras hilariantes;
Mas a maioria foi muito humana.
Me disseram de novo
O que eu precisava ouvir.
Mas não ouvia.
Foram muitos modos diferentes,
sempre interessados em mim.
No meu resgate.
Até que alguém fez
Quase eclodir;
Que não se deu por uma ironia do tempo,
Uma suave assincronia...
Ainda faltava algo...
Enfim, RENASCI.
Trazido novamente à luz
Após um um impulso repentino.
Inesperado.
Após um movimento instintivo,
Involuntário,
Que me colocou na tela de um radar antenado.
Que sorriu pra mim.
Que me viu profundamente.
Falou de novo tudo o que eu já havia escutado.
Mais intensamente.
Mais decidida.
Me empurrou fortemente.
Impertinente porque assustada
Com tanto potencial desperdiçado em mim
Que ela enxergava na minha apatia,
Na minha indiferença comedida.
Salto sem paraquedas.
Só que o apoio estava presente,
de mãos estendidas.
Pra que não restassem dúvidas,
Se expôs completamente.
Situação, intenções,
planos pro futuro.
Meu futuro passou a ter mais razões então.
O coração irradiado de uma nova energia,
De uma nova luz.
Amando plenamente outra vez!
Agora voa em pleno dia,
Sem medo, sem amarras:
Veloz.
[P/ ACC]
Adhemar - São Paulo, 10/12/2019
Impressões pessoais e a sutileza que entremeia diferentes expressões destas artes: a arquitetura da poesia e a poesia da arquitetura! Vida. (Imagem: Perspectiva do Labirinto - Foto: Adh2bs)
quarta-feira, 11 de dezembro de 2019
sábado, 30 de novembro de 2019
RASTEIRA
Lá se foi a minha santa paciência
Lá se foi minha ciência
Lá se foi a minha falta de vontade,
minha verdade,
Lá se foi toda a pouca qualidade...
Lá se foi a minha inexperiência
Lá se foi a minha pouca idade
La se foi a minha consciência
vendida num bazar da caridade
Lá se foi a minha diligência
Lá se foi meu velho oeste
Lá se foi minha indecência
minha sobriedade
Lá se foi James West...
Lá se foi a minha pouca complacência
Lá se foi a minha jura
minha cura
Lá se foi minha falência...
Lá se foi toda minha experiência
Lá se foi meu gesto
Lá se foi a minha imprudência
minha bagagem extraviada
Lá se foi minha saudade atrasada
Lá se foi meu avião
meu recurso, habeas corpus
Lá se foi a minha imunidade
Lá se foi a minha impunidade
Lá se foi o meu sonho em vão
Lá se foi o meu plano de futuro
Lá se foi meu coração
minha correnteza de certezas
Lá se foi minha emoção
Lá se foi o meu aplauso
minhas palmas num concurso de beleza
Lá se foi a minha "miss"
Lá se foi minha musa em procissão...
Lá se foi a minha profissão
Lá se foi a minha fé
Lá se foi a minha fome
Lá se foi meu tira-gosto
pois que derrubei o meu café...
[Adhemar - São Bernardo do Campo, 29/09/2016]
Lá se foi minha ciência
Lá se foi a minha falta de vontade,
minha verdade,
Lá se foi toda a pouca qualidade...
Lá se foi a minha inexperiência
Lá se foi a minha pouca idade
La se foi a minha consciência
vendida num bazar da caridade
Lá se foi a minha diligência
Lá se foi meu velho oeste
Lá se foi minha indecência
minha sobriedade
Lá se foi James West...
Lá se foi a minha pouca complacência
Lá se foi a minha jura
minha cura
Lá se foi minha falência...
Lá se foi toda minha experiência
Lá se foi meu gesto
Lá se foi a minha imprudência
minha bagagem extraviada
Lá se foi minha saudade atrasada
Lá se foi meu avião
meu recurso, habeas corpus
Lá se foi a minha imunidade
Lá se foi a minha impunidade
Lá se foi o meu sonho em vão
Lá se foi o meu plano de futuro
Lá se foi meu coração
minha correnteza de certezas
Lá se foi minha emoção
Lá se foi o meu aplauso
minhas palmas num concurso de beleza
Lá se foi a minha "miss"
Lá se foi minha musa em procissão...
Lá se foi a minha profissão
Lá se foi a minha fé
Lá se foi a minha fome
Lá se foi meu tira-gosto
pois que derrubei o meu café...
[Adhemar - São Bernardo do Campo, 29/09/2016]
domingo, 24 de novembro de 2019
"DIMINUINTE"
Abandonei pensamentos no caminho.
Ou foram eles que me deixaram.
Ecos no vazio da mente.
Gritos ocos, sem voz, dementes.
Palavras desconexas, misturadas,
balbuciadas, fracas, correntes;
detidas entredentes...
Entrementes, telepatia.
Anotações em código no espaço.
Muito espaço sobressalente.
conexão do mar, vento e corrente.
Água submersa em água,
movimentação impaciente.
Abandonei os estudos, a ciência.
Ou fui abandonado pela consciência.
Inconstante, infiel, doente.
De tantos desabafos no papel,
mãos dormentes.
Panoramas desoladoramente lindos...
Acabrunhados e silentes.
Paisagismo imaginário, dominante;
coisa de cenário...
Abandonei a alegria irradiante,
aurora do sol nascente;
luz do céu, surpreendente.
Nesse caminho sem fim, solitário e errante.
Ou foi a rota que me abandonou...?!
... Na última linha da poesia decrescente...
[Adhemar - São Paulo, 25/09/2018]
Ou foram eles que me deixaram.
Ecos no vazio da mente.
Gritos ocos, sem voz, dementes.
Palavras desconexas, misturadas,
balbuciadas, fracas, correntes;
detidas entredentes...
Entrementes, telepatia.
Anotações em código no espaço.
Muito espaço sobressalente.
conexão do mar, vento e corrente.
Água submersa em água,
movimentação impaciente.
Abandonei os estudos, a ciência.
Ou fui abandonado pela consciência.
Inconstante, infiel, doente.
De tantos desabafos no papel,
mãos dormentes.
Panoramas desoladoramente lindos...
Acabrunhados e silentes.
Paisagismo imaginário, dominante;
coisa de cenário...
Abandonei a alegria irradiante,
aurora do sol nascente;
luz do céu, surpreendente.
Nesse caminho sem fim, solitário e errante.
Ou foi a rota que me abandonou...?!
... Na última linha da poesia decrescente...
[Adhemar - São Paulo, 25/09/2018]
domingo, 17 de novembro de 2019
MATINAL
São seis horas da manhã chuvosa
Espaço cinza
massa cinzenta sob cabelos brancos
Falta um vento
Falta um oxigênio
Falta um ponto no horizonte
indivisível, pleno
São, serão...
Talvez umas seis e cinco
O ruído que vem de fora é ameno
Existe uma certa surdez
aos ruídos que vem de dentro
Vem com a fome,
indiferente ao tempo
Ao tempo!
Seis e nove,
os ponteiros em contínuo movimento
Os minutos pós seis horas?
Aleatórios.
Inventados.
Velhacos.
São seis e treze da manhã chuvosa
que é como se chorando
Lágrima cristalina sobre a face lisa
Falta uma barba mal feita
Falta um soluço, uma rima
Falta um olhar altivo,
incrível, sereno...
São seis e quinze da manhã chuvosa,
cinzenta e sem vento
onde o relógio desacelera
Onde falta uma letra em cima da cama;
onde falta uma razão
para ficar mais tempo em cima dela.
[Adhemar - São Paulo, 16/11/2019]
Espaço cinza
massa cinzenta sob cabelos brancos
Falta um vento
Falta um oxigênio
Falta um ponto no horizonte
indivisível, pleno
São, serão...
Talvez umas seis e cinco
O ruído que vem de fora é ameno
Existe uma certa surdez
aos ruídos que vem de dentro
Vem com a fome,
indiferente ao tempo
Ao tempo!
Seis e nove,
os ponteiros em contínuo movimento
Os minutos pós seis horas?
Aleatórios.
Inventados.
Velhacos.
São seis e treze da manhã chuvosa
que é como se chorando
Lágrima cristalina sobre a face lisa
Falta uma barba mal feita
Falta um soluço, uma rima
Falta um olhar altivo,
incrível, sereno...
São seis e quinze da manhã chuvosa,
cinzenta e sem vento
onde o relógio desacelera
Onde falta uma letra em cima da cama;
onde falta uma razão
para ficar mais tempo em cima dela.
[Adhemar - São Paulo, 16/11/2019]
sábado, 16 de novembro de 2019
"PALIVRES"
Metáforas insuficientes.
Sutis demais.
Palavras rebuscadas,
pouco eficientes.
Anárquicas.
Incitantes.
Instigantes.
Revolucionárias.
Incoerentes.
Manifestam-se de pijama.
Acomodadas.
Contraditórias.
Convencidas.
Convictas...
Hesitantes?!
Metáforas artísticas.
Pernósticas.
Arrogantes.
Infelizes.Opressivas.
Impactantes.
Apresentadas em lindos pacotes.
Malcheirosas.
Indecentes.
Chegam como se fossem presentes.
Produzem efeitos inesperados.
Desesperados.
Eufóricos.
Mas, são apenas palavras.
Doentes.
Saudáveis.
Saudosas...
[Adhemar - São Paulo, 15/11/2019]
segunda-feira, 4 de novembro de 2019
DÍVIDA
O crediário é um futuro comprometido.
O compromisso te obriga a continuar vivendo.
A vida te leva pelo desconhecido.
O desconhecido te faz ir aprendendo.
O aprendizado te mostra a vida e te abre os olhos.
O olhar te ensina o bonito e o feio.
A feiura te ensina respeito.
O respeito vai tirar você do devaneio.
O devaneio pode ser o sonho possível.
O possível te leva a querer mais.
Querer mais te bota num dilema:
"desisto ou me endivido?"
A dívida é um crediário.
O crediário é um futuro comprometido.
A promessa te consome, te devora.
Devorado, você se desespera e apavora.
Apavorado, paralisa os sentidos.
O sentimento te machuca e atordoa.
Atordoado, você se compromete.
Comprometido, se confunde e não pensa.
Não pensando você conclui sozinho que,
sozinho, só é mais um cretino.
[Adhemar - São Paulo, 16/07/2019]
O compromisso te obriga a continuar vivendo.
A vida te leva pelo desconhecido.
O desconhecido te faz ir aprendendo.
O aprendizado te mostra a vida e te abre os olhos.
O olhar te ensina o bonito e o feio.
A feiura te ensina respeito.
O respeito vai tirar você do devaneio.
O devaneio pode ser o sonho possível.
O possível te leva a querer mais.
Querer mais te bota num dilema:
"desisto ou me endivido?"
A dívida é um crediário.
O crediário é um futuro comprometido.
A promessa te consome, te devora.
Devorado, você se desespera e apavora.
Apavorado, paralisa os sentidos.
O sentimento te machuca e atordoa.
Atordoado, você se compromete.
Comprometido, se confunde e não pensa.
Não pensando você conclui sozinho que,
sozinho, só é mais um cretino.
[Adhemar - São Paulo, 16/07/2019]
quarta-feira, 30 de outubro de 2019
COTIDIANO
Ontem foi um dia estranho,
como todos os dias tem sido estranhos.
Estranhos dentro de cada um
pois o lado de fora
é igual ao lado de fora de ontem.
Hoje está tão estranho como ontem
e como amanhã será.
Obrigado por acender a luz.
Outra coisa estranha
pois que hoje está chovendo.
Ontem também choveu
e isso é até normal.
Embora tudo o que seja normal,
atualmente,
seja um pouco estranho.
Estranho e suspeito.
Desde muito tempo que tudo está assim,
estranhamente monótono e cansativo.
Como andar em círculos
e respirar o vapor da chuva fria.
Estranho é estar sozinho,
estranho é estar sozinho,
estranho é estar sozinho.
Em dias assim, tão iguais,
dentro e fora da gente.
[P/ BSF]
[Adhemar - São Paulo, 17/03/1988]
como todos os dias tem sido estranhos.
Estranhos dentro de cada um
pois o lado de fora
é igual ao lado de fora de ontem.
Hoje está tão estranho como ontem
e como amanhã será.
Obrigado por acender a luz.
Outra coisa estranha
pois que hoje está chovendo.
Ontem também choveu
e isso é até normal.
Embora tudo o que seja normal,
atualmente,
seja um pouco estranho.
Estranho e suspeito.
Desde muito tempo que tudo está assim,
estranhamente monótono e cansativo.
Como andar em círculos
e respirar o vapor da chuva fria.
Estranho é estar sozinho,
estranho é estar sozinho,
estranho é estar sozinho.
Em dias assim, tão iguais,
dentro e fora da gente.
[P/ BSF]
[Adhemar - São Paulo, 17/03/1988]
terça-feira, 8 de outubro de 2019
VOUCHER
Eu que pensei...
ousei pensar!
Que aprendera a interpretar
o silêncio.
Que saberia, das palavras a
ausência
o que elas desejariam
significar...
Julguei poder oferecer
esse pouco que sou, como
sou,
para quem quisesse conhecer
- e apreciar -
com uma certa riqueza de
razão.
Ousei pensar,
não sem uma certa emoção,
que haveria de encontrar
uma outra alma aventureira
que se se atreveria a se
atirar
sem rede nem proteção
nesse imenso abismo
confortável
de mãos dadas e sorrisos...
Ousei pensar
que cavaria por abrigos
a quatro mãos...
Que haveria de dormir - e
levantar -
no calor da companhia
dessa aventureira
alvissareira,
maravilhosa e faceira.
Que compartilharia alguns
momentos
- ainda que de poucos tempos
-
nessa empresa com um sócio
dedicado...
Ousei pensar
que não seria mais uma
ilusão...
[Adhemar - São Paulo,
16/07/2019]
domingo, 6 de outubro de 2019
GARRAFA
Imerso no silêncio
contemplo o mar imenso.
Quantas mensagens
engarrafadas,
afogadas,
perdidas, errantes,
nunca interpretadas...
Cinza azul
amarelado do poente.
Melancólica
nostalgia
por essas
mensagens,
engarrafadas,
que se
perderam,
jamais lidas...
Imerso na
saudade
dessas
mensagens nunca encontradas
penso... Penso
nas poesias...
Quantas poesias
escritas
perdidas,
errantes,
jamais lidas...
Quantas
palavras perdidas
em pedidos de
socorro e declarações de amor,
em lamentos
inúteis e celebrações exaltadas,
engarrafadas,
imersas nesse
mar imenso
de saudade e de
silêncio...
[Adhemar - São Paulo, 27/09/2018]
sábado, 21 de setembro de 2019
SOUVENIR
De tanto ficar deitado
o corpo todo doeu
De tanto desencontrar
o que se devia falar se escreveu
Mal entendido
quanto mais explicado
mais confundido
mais complicado
Esperar uma palavra qualquer
ou no correio - que viesse escrita -
ou no telefone - para ser ouvida -
era bom ter
Até na janela, se chegasse bonita
entrando aqui
pra gente se entender
Agora, nada disso é possível
Só em sonho, poesia ou histórias
Mas enfim, pode crer, foi incrível
te gostar, te perder, te segurar na memória...
[P/ BSF]
[Adhemar - São Paulo, 19/09/1987]
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